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Expressão do poder divino

Há quem pense que o único modo de seguir os passos de Jesus é ter um fim heroico. Trata-se de um engano.

O mundo contemporâneo convive com diferentes formas de manifestação do poder: nações que promovem “testes” de armamentos para expressar sua capacidade bélica, magnatas que ostentam suas riquezas, sinalizando sua força econômica, autoridades de diferentes campos do conhecimento que se impõem a partir de sofisticados discursos.

O ser humano, ao mesmo tempo que ambiciona essas e tantas outras formas de poder, parece ignorar o modo como Deus, onipotente, se expressa. A simplicidade é genuína expressão do poder divino.

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A fé cristã ensina que Jesus é Deus-Filho, o Verbo de Deus, e tudo pode, mas, subvertendo a mentalidade humana de tudo querer para si, o Cristo testemunha, com a sua vida, que o coração divino irradia a simplicidade. Jesus nasceu pobre, conviveu fraternalmente com os excluídos, pôs-se a lavar os pés de seus discípulos, serviu-os na última ceia.

Orientava-seus seguidores a levar somente o que é essencial e tudo partilhar, solidariamente. É verdade que em sua vida pública, fez milagres, mas sem almejar bajulações ou distinções.

No seu horizonte estava sempre o bem de seu semelhante. E seu extremo ato de amor foi entregar-se na Cruz, inscrevendo a humanidade no caminho da redenção.

Há quem pense que o único modo de seguir os passos de Jesus é ter um fim heroico, a exemplo de tantos mártires da Igreja, que morreram em nome da fé em Deus. Trata-se de um engano.

Os mártires são essenciais e, por sua bravura exemplar na vivência cristã, inscreveram-se na história, ajudando a converter corações, ao longo dos séculos. Mas igualmente importantes são aqueles que testemunham a fé em gestos simples, cotidianos, aparentemente pequenos.

Santa Teresinha do Menino Jesus, religiosa do século 19, morreu jovem, aos 24 anos. Ingressou no convento aos 15 anos, depois de perder a mãe e ver seu pai adoecer. Viveu tão pouco, enclausurada, mas tornou-se mundialmente conhecida por expressar, com maestria, a simplicidade.

Reconheceu-se pequena, incapaz de grandes atos, mas confiou plenamente no amor de Deus, tornando-se servidora deste infinito amor. As suas atitudes, assim, foram marcadas pela bondade, caridade e fraternidade. Depois de sua morte, seus escritos, que detalham o seu itinerário espiritual, foram publicados, tornando-se importante referência para toda a Igreja.

Sem sair do convento, Santa Teresinha foi reconhecida, por São João Paulo II, a Padroeira das Missões. A sua vida, em si, constitui um mistério que revela a força do poder divino, expresso na simplicidade.

De 13 a 20 de junho, relíquias de Santa Teresinha, vindas da França, serão expostas aos fiéis da Arquidiocese de Belo Horizonte, em muitas comunidades de fé. Uma programação singular, oportunidade preciosa, para deixar-se tocar pelos ensinamentos da Padroeira das Missões. Lições que, se aprendidas, ajudam o ser humano a reconhecer o que, de fato, tem valor: uma vida simples, que se torna oferta para o bem de todos, vivida na simplicidade, uma expressão do poder divino.


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O Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidiu a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e publica semanalmente aos sábados no Portal Itatiaia.
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