Chuva em BH destrói lojas, carros e interrompe festa no Bairro Ribeiro de Abreu

Região Nordeste foi uma das mais atingidas da capital na tarde deste sábado (21), com 68,8 mm em apenas duas horas

Volume extremo transformou ruas em rios e deixou um rastro de prejuízos no bairro

Uma chuva forte atingiu Belo Horizonte na tarde deste sábado (21). Em apenas duas horas, a Região Nordeste registrou 68,8 mm de chuva — o equivalente a 38,7% de toda a média esperada para o mês de fevereiro. O volume extremo transformou ruas em rios e deixou um rastro de prejuízos no bairro Ribeiro de Abreu, onde moradores denunciam o descaso crônico com a infraestrutura local.

O cruzamento da Rua Dona Ambrósia com São Judas Tadeu foi um dos pontos mais críticos. No local, o cenário era bueiros entupidos, lama acumulada e comerciantes tentando salvar o que restou de anos de trabalho.

‘Um ano de trabalho perdido': o drama dos comerciantes

A esteticista Gabriele Ribeiro Lopes dos Santos, de 25 anos viu equipamentos boiando em meio ao barro.

“Não é a primeira vez, sempre acontece. É um descaso porque os bueiros ficam sempre entupidos. A água desce toda das ruas laterais para cá e nossas coisas são muito difíceis de conquistar. É muito doído”, desabafou Gabriele à Itatiaia. “Estragou frigobar, estragou um ano de trabalho duro. Eu ainda não estou acreditando. O erro foi acreditar, da primeira vez, que alguém faria algo por nós”.

A comerciante relatou que a água subiu cerca de 60 cm dentro da loja, atingindo aparelhos de ozonoterapia e secadores. “Se você chegar aqui num dia de sol, os bueiros já estão voltando água suja e fedendo. Quando a gente precisa, ninguém ajuda”.

‘Risco de vida': relatos de desolação e perigo

A dona de salão Ingrid Rodrigues, de 30 anos, reforçou a indignação. Com cinco anos de comércio na região, ela afirma que os últimos dois têm sido marcados por enchentes recorrentes e problemas de esgoto.

"É muito grave, estamos todos desolados. Tem gente que teve que sair escorada, escoltada, porque a chuva alagou tudo”, relatou Ingrid.

“O dono de um Renegade que estava aqui viu a água chegar no peito dele. Não teve como, tivemos que fechar a porta e sair, porque o risco era de vida. A água entrou sem condições de a gente segurar nada”.

Segundo a empresária, a insuficiência de bocas de lobo na parte baixa do bairro torna o local uma bacia de retenção natural para a água que desce das áreas altas. “O esgoto entrou e acabou com o meu salão, com a piscina do vizinho... É muito prejuízo”.

Festa de família termina em prejuízo total

O temporal também interrompeu um momento de celebração. Gislaine Rodrigues da Silva Borges havia alugado um espaço para um aniversário de família, mas a festa deu lugar ao esforço desesperado para salvar veículos.

“A rua encheu muito rápido. Tivemos que ir para trás dos carros, empurrar para fora da zona de inundação, mas a maioria deu PT (perda total)”, lamentou Gislaine. “A festa acabou porque a cantora foi embora, a música acabou. Não conhecíamos a região e não sabíamos que a água ficava empoçada dessa forma aqui”, relatou à reportagem.

As chuvas também provocaram grandes buracos nas ruas do bairro.

Ruas com buracos após chuva forte

Os moradores afirmam que as solicitações de limpeza e manutenção de bueiros são frequentes, mas raramente atendidas pela Copasa ou pela Prefeitura. A Itatiaia entrou em contato com o órgão e a empresa e aguarda um retorno.

Leia também

Amanda Antunes cursou jornalismo no Unileste (Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais), com graduação concluída na Faculdade Estácio, em Belo Horizonte. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012, chegou à Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

Ouvindo...