Família de mineiro morto no Chile denuncia negligência para translado do corpo

Mardhem Rarieli Moura de Araújo, de 42 anos, morreu no dia 13 fevereiro; seguradora responsável teria negado mas justiça concedeu liminar

Acidente ocorreu no norte do Chile, quando um carro invadiu a contramão

A família do mineiro Mardhem Rarieli Moura de Araújo, de 42 anos, morto em um acidente de moto no Chile, no dia 13 de fevereiro, enfrenta dificuldades no translado do corpo.

O acidente ocorreu no norte do Chile, quando um carro invadiu a contramão e atingiu a motocicleta pilotada pelo mineiro, que viajava como turista acompanhado de um amigo.

A família de Mardhen, natural de Buritis e com família em Guaraciaba, contesta a versão oficial apresentada pelas autoridades locais. Segundo o irmão da vítima, Thulio Araújo, houve uma tentativa de manipulação dos fatos para isentar o condutor do veículo.

“Meu irmão está viajando no Deserto do Atacama e um taxista idoso atravessou na frente dele e bateu de frente, ele acabou falecendo”, contou Thulio à reportagem da Itatiaia.

O irmão relata que o companheiro de viagem de Mardhen, Cleiton, precisou retornar ao local da colisão para reunir provas de que o boletim de ocorrência era falso.

“A polícia do Chile fez um boletim de ocorrência com informações falsas e não fizeram perícia do acidente. O carro invadiu a pista e pegou meu irmão na pista dele”, denunciou.

Impasse com a seguradora

A principal batalha da família no momento é contra a seguradora “My Travel Assist”. Mesmo diante de uma decisão judicial, o translado do corpo ainda não foi realizado, prolongando o luto dos parentes.

“Primeiro eles negaram fazer o translado, mas a justiça concedeu liminar judicial, e falta eles cumprirem, já passou mais de uma semana”, desabafou Thulio. A família enfatiza que não busca recursos financeiros, mas sim celeridade no cumprimento das obrigações contratuais e apoio para pressionar a empresa.

“Nossa indignação é a burocracia desumana para liberar o corpo no Chile. Não queremos dinheiro, tem notícias falsas”.

A família também denuncia atraso do consulado brasileiro para liberação do corpo no IML, que só foi realizada nesta sexta (20), uma semana após a morte.

Posicionamento do Itamaraty

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que, por meio do Consulado-Geral em Santiago, acompanha o caso e mantém contato com as autoridades chilenas e com os familiares. O órgão esclareceu que a atuação consular foca na orientação e expedição de documentos, como o atestado de óbito.

O Itamaraty ressaltou que o traslado de restos mortais pelo Estado ocorre apenas em situações “excepcionais e devidamente motivadas”, conforme os Decretos nº 9.199/2017 e nº 12.535/2025. Por questões de privacidade, o ministério não forneceu detalhes específicos sobre a assistência direta prestada.

Sobre a Vítima

Mardhem Rarieli era farmacêutico formado em Viçosa (MG). Conhecido na região de Buritis e Guaraciaba, ele aproveitava as férias no Chile quando o acidente interrompeu sua jornada. Até o fechamento desta reportagem, a seguradora mencionada não havia se manifestado publicamente sobre o descumprimento da liminar.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o ‘Tá Sabendo’ no Instagram da Itatiaia.

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