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Associação nega consertar carro de atleticano atacado por membros da Máfia Azul na Grande BH

Pai e filho estavam calibrando pneus em posto de Contagem quando foram surpreendidos por 30 cruzeirenses; vítima pretende ir à Justiça

Uma associação que presta serviço de proteção de veículos negou consertar o carro do motorista de aplicativo que foi depredado por membros da torcida organizada Máfia Azul horas antes do clássico entre Atlético e Cruzeiro, disputado no dia 22 de outubro. O homem estava junto com o filho de 16 anos quando foi atacado pelos cruzeirenses.

A Itatiaia teve acesso ao documento enviado pela Atual Clube de Benefícios para a vítima, que prefere não ser identificada. No documento, a empresa fala que a ocorrência sofrida pelo motorista não é coberta pelas cláusulas do contrato entre ele e a associação.

A decisão de negar o reparo do veículo teria sido tomada pela diretoria da empresa., que cita dois argumentos presentes em contrato para negar o reparo do veículo:

  • Atos de hostilidade ou guerra, tumultos, motins, comoção civil, sabotagem, protestos, manifestações populares e vandalismo;

  • Negligência do integrante do plano [...] na adoção de todos os meios razoáveis para salvar e preservar o veículo durante ou após a ocorrência de qualquer evento.

Motorista vê renda diminuir

Em entrevista à Itatiaia, o motorista conta que viu sua renda cair mais de 50%, já que, há mais de um mês, não roda mais como motorista de aplicativo. Desde então, ele vive com pouco mais de um salário mínimo e tem dificuldades em pagar as duas pensões.

“Eu tentei tirar o carro de lá, mas começaram a bater na gente. Eu só pensei em salvar eu e meu filho, até deixei a chave na ignição. Não tinha como eu enfrentar eles. Todas as mensalidades do seguro estão em dia, então eu pretendo entrar na Justiça.”

A Itatiaia entrou em contato com a Atual Clube de Benefícios e aguarda retorno. O espaço segue aberto.

Pai e filho atacado por cruzeirenses em BH

Cerca de 30 torcedores da Máfia Azul apedrejaram e agrediram um homem e o filho dele, de 16 anos, em um posto de combustível na Via Expressa, na altura do bairro Bernardo Monteiro, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. O ataque foi no dia 22 de outubro, mesmo dia em que Atlético e Cruzeiro se enfrentaram na Arena MRV.

Segundo o boletim de ocorrência, o pai, de 44 anos, e o filho precisaram parar em um posto de combustíveis para calibrar os pneus. Enquanto estavam no estabelecimento, cerca de 30 torcedores da Máfia Azul desembarcaram de pelo menos quatro veículos. O pai, que estava fora do carro, foi abordado e agredido.

De acordo com a vítima, os torcedores pediram que ele entregasse a camisa do Atlético e disseram: “Passa a camisa, aqui é a Máfia Azul de Betim”. No chão, o homem foi chutado e agredido com pedras e pauladas. Momentos depois, ele conseguiu levantar e fugir. A vítima sofreu escoriações leves nas regiões do cotovelo direito e das costas, mas dispensou atendimento médico. Na época, a Máfia Azul chegou a repudiar o ataque e ameaçou expulsar os membros envolvidos no caso.

Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.
Formado em jornalismo pela PUC Minas, foi produtor do Itatiaia Patrulha e hoje é repórter policial e de cidades na Itatiaia. Também passou pelo caderno de política e economia do Jornal Estado de Minas.
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