Quatro escolas abriram o segundo dia de desfiles do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí, na noite dessa segunda-feira (16). Entram na avenida Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Unidos do Viradouro e Unidos da Tijuca. No domingo (15), na primeira noite de desfiles do Grupo Especial, outras quatro agremiações se apresentaram no Sambódromo. Todas levaram para a avenida homenagens a personagens marcantes da história do Brasil.
A primeira escola a desfilar foi a Acadêmicos de Niterói, que contou a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O enredo apresentou a vida de Lula desde a infância, em Pernambuco, quando sua mãe, dona Lindu, levou os oito filhos em busca de uma vida melhor em Santos, até a chegada à Presidência da República. Dona Lindu foi interpretada pela atriz Rapaz, enquanto Lula foi vivido pelo humorista e apresentador Paulo Vieira.
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Uma das compositoras do samba-enredo, a cantora Teresa Cristina, falou sobre o processo criativo.
“Contar a história sobre a ótica da mãe me pegou demais. Eu sou mãe. A gente quer o melhor pros nossos filhos, sabe? Uma mulher que coloca os filhos numa boleia de caminhão, atravessa atrás de um grande amor, que não dá certo. O amor não deu certo, mas ela criou uma pessoa, um personagem que o Brasil nunca vai esquecer”.
Para evitar qualquer caracterização de propaganda política, a Acadêmicos de Niterói consultou especialistas em direito eleitoral. A primeira-dama Janja, que era esperada no último carro alegórico, desistiu de desfilar de última hora e acompanhou a apresentação de um camarote da Prefeitura do Rio, ao lado do presidente Lula. Quem ocupou o posto foi a cantora Fafá de Belém.
“O bicho vai pegar”, disse a artista antes do desfile.
Questionada sobre a expectativa, Fafá respondeu: “Vou desfilar no último carro, o carro dos amigos do Lula. Fiquei muito feliz quando me convidaram”.
Esta foi a primeira vez que a Acadêmicos de Niterói desfilou no Grupo Especial, após vencer a Série Ouro no ano anterior.
A segunda escola da noite foi a Imperatriz Leopoldinense, que empolgou o público com um samba considerado provocador. Com um enredo camaleônico, a escola homenageou Ney Matogrosso, sem se prender à biografia do artista, mas exaltando sua potência artística, estética e política, além da forma como ele sempre desafiou rótulos. Como dizia o samba, “meio homem, meio bicho”.
Conhecido por falar pouco com a imprensa, Ney foi direto ao comentar o desfile.
“Tô empolgado, claro que tô. Senão, não viria”, afirmou.
Sobre a fantasia, resumiu: “Foi feita pra mim”.
E ao comparar o Sambódromo aos palcos tradicionais, disse: “Isso aqui é um palco dez mil vezes maior”.
Rainha de bateria da Imperatriz, a cantora Iza explicou a fantasia inspirada no álbum Pecado.
“A gente tá falando sobre o álbum ‘Pecado’ do Ney, e eu tô de cobra. É um álbum muito especial. Mas o desfile fala de várias coisas importantes da vida dele. O Ney é um artista que faz arte pensando no que é verdadeiro pra ele. Isso é ser artista de verdade”, destacou.
A terceira escola a desfilar foi a Portela, que voltou a usar tecnologia de drones, como já havia feito em 2023. O enredo contou a história do Príncipe Custódio, líder religioso fundamental para a visibilidade dos cultos afro-gaúchos, com destaque para o batuque, religião de matriz africana praticada no Sul do Brasil.
Musa da escola, Adriane Galisteu, que desfilou há mais de 30 anos, falou sobre a dedicação ao Carnaval.
“Pra vir pro Carnaval tem que ter disposição, mas mais do que isso, tem que amar. Isso aqui não é só um desfile. É uma comunidade, uma família que trabalha o ano inteiro”, disse.
Ela também destacou o aprendizado proporcionado pelo enredo: “Eu não conhecia a história do Príncipe Custódio. Descobri através da Portela. A gente vem contar histórias que não aprendeu na escola”.
Na reta final, a Portela enfrentou dificuldades com a passagem do último carro alegórico, o que comprometeu a evolução e a harmonia. A escola precisou acelerar para encerrar o desfile dentro do tempo regulamentar.
Última a desfilar na noite, a Estação Primeira de Mangueira levou à avenida a história de Mestre Sacaca, curandeiro da Amazônia conhecido como “doutor da floresta”. Nascido no Amapá, ele ficou conhecido por curar pessoas com chás e rezas.
Viúva de Mestre Sacaca, Madalena Souza, conhecida como Madá, de 93 anos, falou emocionada sobre o companheiro, com quem teve 14 filhos.
“Ele sempre gostou de fazer remédio pras pessoas. O que ele pudesse fazer, ele fazia. O que ele pudesse dar, ele dava. Até comida, fruta… Ele sempre gostou de ajudar. Eu nunca pensei que veria essa maravilha que eu tô vendo hoje”, contou.
A Mocidade Independente de Padre Miguel, primeira escola a desfilar na segunda noite, entrou na Marquês de Sapucaí a partir das 22h, no horário de Brasília.