Apesar da ampliação no número de banheiros químicos espalhados por Belo Horizonte durante o Carnaval, ainda é comum flagrar foliões usando ruas, árvores, postes, rodas de carros e até portas de residências para se aliviar durante a festa.
Neste ano, segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, foram instalados mais de 15.400 banheiros químicos, entre pontos fixos e móveis —
Vale lembrar que urinar em via pública é considerado contravenção penal e pode ser enquadrado como ato obsceno, conforme a legislação vigente.
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Nas ruas, a prática tem incomodado quem participa da folia. A advogada Michele, de 32 anos, afirma que percebe o problema mesmo com a estrutura disponível.
“Eu tenho reparado sim. Por mais que eu tenha visto aí banheiros químicos, as pessoas estão preferindo fazer na rua”, relata.
O empresário Danilo, de 40 anos, também comenta que a situação se repete em diferentes pontos da cidade, apesar da presença dos banheiros.
“Em todos os lugares que a gente foi, tinha muito banheiro químico. A prefeitura tá de parabéns, inclusive em relação à limpeza. Acaba o bloco, já tá todo mundo fazendo limpeza”, destaca.
Para a advogada Stephanie, de 33 anos, não há justificativa para o comportamento.
“Necessidade de fazer na rua nunca existiu, né? Sempre existe um bar, tem bastante banheiro público. Com poucos minutos andando aqui por perto, a gente já encontrou banheiro público com bastante facilidade”, afirma.
Ela completa: “É a questão de observar o espaço, ter um pouquinho mais de educação, de convivência. Um pouquinho mais de educação já é o suficiente”.
O engenheiro mecânico Alexandre, de 39 anos, reforça que a prática prejudica a experiência do Carnaval e lembra que se trata de crime.
“Atrapalha, né? Até porque é crime. Não custa nada andar um pouquinho a mais. Tem muito banheiro químico aí”, conclui.
Comerciantes encontram alternativa
Em meio à grande circulação de pessoas durante a festa, alguns comerciantes têm encontrado uma alternativa para atender foliões e, ao mesmo tempo, gerar renda extra.
No bairro Castelo, na região da Pampulha, uma dona de cafeteria decidiu oferecer o banheiro do estabelecimento mediante pagamento. A prática, inclusive, é autorizada durante o período carnavalesco, conforme orientação da CDL BH (Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte), que destaca que os lojistas podem cobrar um valor para disponibilizar o uso do banheiro, desde que respeitadas as condições de higiene e conforto.
A proprietária do café, Jane Rodrigues, conta que a iniciativa surgiu como forma de atender uma demanda comum durante o Carnaval.
“Nada melhor que um banheiro limpo, cheiroso e bonito. Você viu que eu te mostrei? Tá sempre limpinho, cheirosinho e muito bonito. O pessoal tá gostando, eles não têm reclamado. Pagam e pagam feliz por usar um banheiro tão limpinho, cheirosinho e bonito igual o nosso”, afirma.