Os blocos caricatos, que formam uma das manifestações culturais mais tradicionais e espontâneas do Carnaval belo-horizontino, estão finalizando a preparação para a folia deste ano. São os casos, por exemplo, do Unidos da Zona Norte e do Aflitos do Anchieta, que têm se organizado para levar à avenida desfiles marcados por história, identidade cultural e mensagens positivas ao público.
Com a proximidade dos desfiles, José João Gualberto Filho, o Janjão, presidente do Unidos da Zona Norte, relembra o início do grupo e adianta detalhes sobre o tema atual. “Fundamos o bloco caricato em 23 de abril de 2015. Passado um tempo, descobrimos que é o Dia de São Jorge, nosso padroeiro. Todas as nossas camisas têm São Jorge. E escolhemos a água como símbolo por ser um animal que voa muito alto”, relembra.
Para 2026, o Unidos da Zona Norte explora a ligação entre humanidade e natureza, por meio da mitologia tupi-guarani. “Vamos falar sobre Tupã e a relação entre a fauna, a flora, a água e o homem. Um dependendo do outro”, explica Janjão sobre o tema deste ano.
Mais de 60 anos de história
O Aflitos do Anchieta também compartilha das preparações finais para o desfile. Fundado em 4 de novembro de 1965, é considerado o bloco caricato mais antigo de Belo Horizonte.
“Há 60 anos, sete garotos de treze, catorze anos, na esquina da rua Itapema, inventaram de fazer um bloco. E que bloco seria? Eles estavam aflitos para fazer um bloco no bairro Anchieta e assim nasceu o nome”, descreve Anderson Lisboa, presidente do grêmio recreativo.
“A gente vai contar a história dos patuás, desde o Egito, com os escaravelhos, até os patuás cristãos, como a medalha de Nossa Senhora, o crucifixo”, detalha o carnavalesco Alexandre Colla sobre o tema escolhido para 2026. Os patuás são aqueles elementos de proteção, e sorte, ligados à fé e religiosidade.
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