Os blocos caricatos entram na reta final de preparação para o desfile da segunda-feira de Carnaval, na Avenida dos Andradas, em Belo Horizonte. As apresentações fazem parte do desfile oficial da capital mineira e reúnem agremiações tradicionais da cidade.
Um dos destaques é o Bloco Caricato Por Acaso, fundado em 2009 e que, desde então, já conquistou pódios no desfile oficial. A agremiação é do bairro Carlos Prates, na região Noroeste de Belo Horizonte, e neste ano leva para a avenida uma homenagem aos catadores de materiais recicláveis.
Segundo o presidente do bloco, Jairo Alves Pereira, o enredo valoriza trabalhadores que contribuem diretamente para a limpeza urbana e a sustentabilidade.
“Essa é uma homenagem que a gente está fazendo aos garis e aos catadores de papel, essas formiguinhas que estão na rua tirando um pouco do lixo da cidade. A ideia é mostrar que a sustentabilidade é possível”, afirmou.
Jairo explica que o tema retoma uma proposta já apresentada pelo bloco em 2011.
“É um pequeno remake de uma campanha que a gente fez naquele ano. Agora estamos levando para a avenida essa homenagem a pessoas que muitas vezes são invisíveis, mas que retiram muito lixo da cidade”, disse.
Apesar de o Por Acaso ter sido criado em 2009, o presidente tem uma longa trajetória no Carnaval de Belo Horizonte.
“Estou no Carnaval desde 1979. Participei da fundação de uma escola de samba naquele ano e, com 11 anos, já estava desfilando. Tivemos grandes carnavais nos anos 80, depois veio uma parada longa, e o Carnaval voltou com força nos anos 2000”, relembrou.
Ele também destacou que o trabalho vai muito além dos dias de festa.
“É trabalho o ano inteiro. O folião tem quatro dias de alegria, mas a diretoria passa o ano todo pensando no que vai colocar na rua no próximo Carnaval”, afirmou.
Bloco Caricato Mulatos do Samba
Outro bloco que se prepara para o desfile é o Bloco Caricato Mulatos do Samba, do bairro Santo André, também na região Noroeste da capital. Neste ano, a agremiação leva para a avenida um enredo baseado em cinco mitologias: grega, egípcia, hindu, africana e tupi-guarani.
De acordo com o presidente do bloco, Roberto Martins de Oliveira, conhecido como Betô, a escolha do tema veio após estudos ao longo do ano.
“A gente começou estudando a mitologia grega, mas percebemos como o tema é vasto e resolvemos trabalhar outras mitologias também, para ampliar o conhecimento das pessoas”, explicou.
Segundo Betô, transformar o tema em Carnaval é um desafio.
“Com certeza é um desafio, até para o entendimento do público. É um tema lindo, que mostra como o mundo foi criado na visão dessas mitologias”, disse.
O presidente também contou que o bloco já teve outro nome e passou por mudanças ao longo da história.
“Essa é a história da minha família. Já fomos Mulatos do Carlos Prates, e hoje somos Mulatos do Samba. O importante é que são décadas de trabalho”, afirmou.
Fundado no início dos anos 2000, o Mulatos do Samba é pentacampeão do Carnaval de Belo Horizonte e se destaca por um feito inédito.
“Em 2009, fomos a única agremiação carnavalesca da capital a conquistar nota 10 em todos os quesitos”, destacou Betô.