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Um ano após enchentes no RS, cavalo Caramelo leva 'vidão', mas cães e gatos seguem sem lar

Um ano após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, cavalo 'Caramelo' resgatado em telhado vive sob cuidados em hospital veterinário

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Um ano após tragédia no RS, cavalo Caramelo está mais saudável do que nunca  • Divulgação | Redes Sociais

Um ano após passar quatro dias ilhado no telhado de uma casa durante as enchentes que devastaram o estado do Rio Grande do Sul, o cavalo Caramelo se recupera com saúde e atenção redobrada no pátio do hospital veterinário da Ulbra, em Canoas (RS).

"Sempre antes das 7h eu estou aqui. Daí, quando chego, ele já escuta meus passos e começa a pedir comida, começa a relinchar", contou à Folha de S.Paulo. Roque acompanha de perto a rotina do animal, que inclui alimentação com alfafa e ração, caminhadas diárias pelos gramados e, ao final do dia, mais uma refeição antes do descanso.

Recuperação após a tragédia 

"No começo, a gente não pôde dar atenção só para ele. Chegaram muitos animais, era muita coisa para atender, e pouca gente tinha acesso para vir ajudar", lembrou Roque.

Abrigos ainda lotados

Apesar do final feliz de Caramelo, a situação de milhares de outros animais resgatados durante a tragédia ainda é preocupante. Segundo a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), cerca de 20 mil animais foram salvos nas enchentes de maio de 2024. Muitos voltaram para seus lares ou foram adotados, mas outros ainda vivem em abrigos.

Na sexta-feira (18), 803 cães e 75 gatos permaneciam acolhidos em 11 abrigos de Porto Alegre e Canoas, segundo sistema estadual de gestão de animais ( SisPetRS). Só em Canoas, 587 cães e 51 gatos vivem em oito instituições, que operam com 81% da capacidade.

Para lidar com a demanda, cidades afetadas aderiram a um programa emergencial estadual, que repassa R$ 108,85 mensais por animal para custeio de abrigo, castração, vacinação e microchipagem. Arroio do Meio, no Vale do Taquari, também iniciou o processo de adesão neste ano.

A tragédia animal vai além dos animais domésticos. Segundo relatório da Emater-RS, as enchentes causaram a morte de 1,2 milhão de aves, 17,2 mil bovinos e 14,8 mil suínos, além de 937,9 toneladas de peixes e milhares de caixas de abelhas.

Enquanto Caramelo virou um marco da superação da tragédia, muitos animais seguem desabrigados.

"Muitos permanecem sem adoção, especialmente os de maior porte, mais velhos ou com necessidades especiais", disse Mauro Moreira, presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do RS, à Folha. “Para além de histórias que comoveram o país, como a do cavalo Caramelo, há centenas de animais ainda esperando por um desfecho digno.

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Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.

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