Coronel da reserva é condenado por críticas ao Exército
Oficial foi condenado por maioria de votos após declarações feitas durante a divulgação de um livro; defesa pretende recorrer da decisão

Um coronel da reserva do Exército foi condenado por maioria de votos pela Justiça Militar por causa de críticas feitas à instituição. A decisão foi tomada na última quinta-feira (6), no Rio de Janeiro, e divulgada nesta quarta-feira (12).
O resultado foi de quatro votos pela condenação e um pela absolvição.
O juiz federal responsável pelo julgamento foi o único a votar pela absolvição. Para ele, não havia provas suficientes de que o coronel tivesse cometido os crimes dos quais era acusado.
Os quatro generais, no entanto, entenderam que as declarações feitas pelo oficial ultrapassaram os limites permitidos e votaram pela condenação.
Livro deu origem ao processo
O caso começou depois que o coronel passou a divulgar um livro de ficção lançado em 2024. Na obra, ele usa nomes fictícios para contar episódios que afirma serem baseados em fatos reais envolvendo oficiais e integrantes da cúpula do Exército.
Um dos assuntos abordados é a compra de um simulador de apoio de fogo . O contrato foi assinado em 2010 por € 13,98 milhões, valor que correspondia a aproximadamente R$ 32 milhões na época. Atualmente, a quantia equivaleria a cerca de R$ 82,2 milhões.
O Exército afirma que a compra foi regular e que trouxe economia aos cofres públicos. Durante a divulgação do livro, o coronel também deu entrevistas e fez críticas à atuação do Exército diante da chamada trama golpista.
Segundo a acusação, as declarações feitas pelo oficial poderiam configurar crimes previstos na legislação militar.
Defesa vai recorrer
O coronel foi condenado às penas mínimas previstas para as acusações, mas não precisará cumprir a pena imediatamente. A decisão também permite que ele permaneça em liberdade enquanto o caso segue para as próximas etapas.
Os advogados afirmaram que vão recorrer da decisão ao Superior Tribunal Militar. Se necessário, o caso ainda poderá chegar ao Supremo Tribunal Federal.
Além do processo criminal, o oficial também responde a um procedimento administrativo dentro do Exército.
A condenação ainda não é definitiva.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.



