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Mulher é denunciada pelo MPSC após fazer cadela engolir mais de 50 pedras de crack

Para polícia, mulher confessou que a droga era dela e que teria usado a cadela para esconder entorpecente; promotoria pede indenização de R$38 mil e perda definitiva da guarda do animal

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Reprodução | CNN Brasil

Uma mulher foi denunciada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) por maus-tratos após obrigar uma buldogue francês de três meses a engolir mais de 50 porções de crack. Segundo o órgão, a suspeita, que era tutora da cadela, confessou à polícia que era proprietária da droga e que utilizou o animal para esconcer o entorpecente.

O MPSC também pediu que ela seja condenada ao pagamento de uma indenização mínima de R$ 38.362,02 pelos danos provocados ao animal, além da perda definitiva da guarda da cadela.

Relembre o caso

O caso ocorreu em 17 de abril desse ano, na cidade de Joinville, no Norte de Santa Catarina. Na ocasião, a filhote, chamada Antonieta, foi levada para atendimento veterinário depois de apresentar um quadro grave de saúde.

Ela chegou à clínica com convulsões e, segundo a veterinária responsável pelo atendimento, apresentava tremores, rigidez muscular, alterações neurológicas severas, além de complicações respiratórias e gastrointestinais.

Inicialmente, os tutores procuraram ajuda em uma agropecuária. Como o estado da cadela era grave, ela foi encaminhada para uma clínica veterinária. Durante o atendimento, a equipe identificou que o animal havia ingerido porções de crack.

A filhote conseguiu vomitar 48 pedras da droga. Exames de imagem, porém, indicaram que ainda havia outras porções no organismo. O material restante foi retirado por meio de uma endoscopia. A cadela também passou por lavagem estomacal e recebeu carvão ativado.

Após o procedimento, Antonieta precisou permanecer internada e passou por acompanhamento especializado. De acordo com a denúncia apresentada posteriormente pelo MPSC, ela chegou a ser transferida para uma unidade de terapia intensiva (UTI) veterinária devido à gravidade do quadro.

Suspeita de tráfico

A situação levou a Polícia Militar de Santa Catarina a investigar a origem do entorpecente. No primeiro momento, a tutora não conseguiu explicar como a cadela havia ingerido as pedras nem se a ingestão teria sido acidental ou proposital. Posteriormente, conforme relatado pelo MPSC, a mulher confessou aos policiais que a droga era dela e que teria utilizado o animal para escondê-la.

A denúncia afirma ainda que ela mantinha porções de cocaína na residência destinadas à comercialização e que os entorpecentes estavam em um local acessível à filhote. A tutora passou a responder também por tráfico de drogas, além da acusação relacionada aos maus-tratos contra o animal.

Prisão e liberdade provisória

Após o caso vir à tona, a mulher foi presa em flagrante por tráfico de drogas e maus-tratos. Em audiência, porém, a Justiça de Santa Catarina negou o pedido de prisão preventiva e concedeu liberdade provisória.

A decisão considerou que a acusada era primária, não tinha antecedentes criminais nem condenações em andamento. Segundo a decisão descrita pela CNN Brasil, a quantidade de droga apreendida, isoladamente, não seria suficiente para demonstrar envolvimento reiterado com o crime organizado que justificasse a prisão preventiva.

A liberdade foi acompanhada de medidas cautelares. Entre elas está o uso de tornozeleira eletrônica por 90 dias e o recolhimento domiciliar integral, com exceção dos períodos destinados ao trabalho.

Também foi determinado que a mulher comparecesse aos atos do processo quando fosse intimada e comunicar previamente eventual mudança de residência ou ausência superior a oito dias. O descumprimento das condições pode levar à revisão do benefício e o decreto de prisão.

Cadela não voltou para a antiga tutora

Depois de receber atendimento veterinário, Antonieta se recuperou e passou a ficar sob outros cuidados. A cadela foi adotada e, segundo a CNN Brasil, não retornará ao lar anterior. Na nova denúncia, o MPSC pediu justamente que a perda da guarda do animal seja determinada de forma definitiva. O órgão também solicitou a fixação de indenização mínima de R$ 38.362,02 pelos danos causados à cadela.

Para a promotora de Justiça Simone Cristina Schultz, responsável pela ação, o episódio representa um caso de negligência grave, com sofrimento físico intenso e risco concreto de morte para a cadela. O processo relacionado aos maus-tratos segue na Justiça, enquanto a mulher também responde à ação penal por tráfico de drogas. A denúncia do MPSC representa uma acusação formal, e a responsabilidade criminal da investigada ainda depende de decisão judicial definitiva.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

 

 

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