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Mais de 400 gatos são encontrados vivendo dentro de apartamento no interior de SC

Animais foram diagnosticados com uma série de doenças e estavam se reproduzindo no local há cerca de 10 anos

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Animais devem passar por quarentena e acompanhamento veterinário. • Divulgação | Prefeitura de Concórdia

Uma intervenção sanitária em um apartamento no Centro da cidade de Concórdia, na Região Oeste de Santa Catarina, revelou a existência de cerca de 400 gatos vivendo no imóvel. Os animais eram submetidos a condições de extrema precariedade. O caso, que se arrasta há aproximadamente dez anos, é alvo de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC)  firmado entre a proprietária do imóvel, e apontada como tutora dos felinos, o Ministério Público do estado e o município.

Segundo informações da Prefeitura de Concórdia, a superpopulação de gatos na residência teve início com um único casal de gatos. Com o passar dos anos, os animais foram se reproduzindo cada vez mais, e sem nenhum tipo de controle, ao longo de uma década. 

Confira imagens dos animais

O resgate dos gatos

Vistorias realizadas por médicos-veterinários do Instituto Federal Catarinense (IFC) nos dias 21 e 22 de maio de 2026 detalharam um cenário de grave comprometimento sanitário na saúde dos gatos. Os principais achados técnicos incluem:

  • Contaminação ambiental: presença disseminada de fezes e urina em cômodos, móveis, rejuntes e sacadas;
  • Agravos à saúde animal: foram identificados felinos com hemorragias orais e nasais, prolapso retal, caquexia e lesões oculares graves, incluindo casos de cegueira;
  • Mortalidade: um animal foi encontrado morto atrás de uma geladeira; o exame necroscópico indicou anemia severa, pneumonia viral e infestação massiva por ectoparasitas;
  • Risco de retroviroses: a alta densidade populacional favorece a circulação silenciosa de vírus como FIV (imunodeficiência felina) e FeLV (leucemia felina).

Durante o resgate dos animais e vistoria do local, as equipes tiveram dificuldades para lidar com o temperamento dos gatos: agressivos em decorrência do estresse crônico e da baixa socialização. Dos 11 profissionais que participaram da ação inicial, seis deles sofreram lesões por mordidas e arranhões. Os profissionais precisaram passar por um conjunto de medidas para prevenir contaminação por doenças como raiva e tétano. 

Além disso, foi constatada a ruptura intencional de telas de proteção nas janelas, o que permitiu a fuga de animais para telhados e unidades vizinhas, ampliando o risco de disseminação de zoonoses no perímetro urbano.

Segundo a Diretoria de Bem-Estar Animal de Concórdia, a tutora, uma idosa aposentada, que não teve a identidade revelada, não praticava o resgate de animais de rua; o acúmulo foi resultado exclusivo da ausência de castração dos animais residentes. O acordo entre o MP, a idosa e a prefeitura estabelece que o município deve coordenar a castração e o posterior encaminhamento dos animais para adoção por meio de ONGs parceiras.

Animais devem passar por quarentena

Devido ao estado de saúde debilitado dos gatos e ao risco de transmissão de doenças, os animais deverão cumprir quarentena obrigatória no próprio apartamento. Até o momento, 118 animais foram oficialmente registrados e microchipados. A castração e a disponibilização para adoção só ocorrerão após a estabilização clínica do grupo. O imóvel permanece sob monitoramento intersetorial para evitar a continuidade do acúmulo e garantir a descontaminação do ambiente.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.