Mariana Marins, irmã da jovem
O caso é tratado como desaparecimento e, até a última atualização da Polícia Civil, enviada por meio de nota à reportagem nesta segunda-feira (5), não há indícios de crime. Roberto foi visto pela última vez na manhã do dia 1º de janeiro e, desde então, equipes do Corpo de Bombeiros, com apoio de voluntários e montanhistas, realizam buscas na região.
No pedido feito por Mariana Marins, ela solicita que “as pessoas divulguem o caso, porque o engajamento pode ajudar e fazer com que ele seja encontrado muito mais rápido”. Mariana ainda completou dizendo que “jamais se pode deixar uma pessoa sozinha na trilha, seja você um guia, um acompanhante ou amigo”.
Ela acrescentou ainda que ninguém pode ficar para trás durante uma trilha e que a vida de todas as pessoas que estão no local importa, independentemente do tempo que demore para chegar ao destino final.
Na época em que sua irmã, Juliana Marins, foi encontrada morta, a família da jovem afirmou que ela foi abandonada por um guia por mais de uma hora antes de sofrer a queda.
No caso do desaparecimento de Roberto, o jovem estava acompanhado de uma amiga, que admitiu, durante entrevista à RIC Record Paraná, que “errou ao deixar o amigo para trás”. Identificada como Thayane Smith, de 20 anos, ela afirmou que conversou com a família de Roberto.
“Esse foi meu erro. Errei. Conversei com a família e assumo meu erro. Eu sei que errei ao ter deixado ele seguir sem mim, mas havia outras pessoas com ele; tinha como se perder. Não sei o que aconteceu”, disse ela.
Roberto e Thayane Smith, natural de Manaus e que estava em Curitiba havia algumas semanas, se conheceram recentemente no Largo da Ordem, no coração do Centro Histórico de Curitiba, e decidiram passar juntos a virada do ano.
Linha do tempo do desaparecimento de Roberto
A dupla iniciou a trilha na noite do dia 31 de dezembro, quando subiram até o acampamento 1, onde descansaram por algumas horas antes de seguir em direção ao cume, por volta das 3h da madrugada. Durante a subida, outros trilheiros relataram que Roberto passou mal, apresentando sinais de fraqueza e vômitos.
Mesmo debilitado, ele conseguiu chegar ao topo por volta das 4h, após receber auxílio de integrantes do grupo, que lhe deram água e alimento. Após o amanhecer, os grupos iniciaram a descida. Neste momento, em um ponto antes do retorno ao acampamento 1, Roberto ficou para trás e não foi mais visto.
Durante esse período, Roberto e Thayane conheceram outros trilheiros, entre eles Fábio Sieg Martins, analista jurídico, que se tornou uma das principais testemunhas do caso.
Mapa mostra Pico Paraná e o que o governo recomenda para as pessoas que decidem participar das trilhas.
Ele disse em entrevista à imprensa que a ausência do jovem foi percebida quando o grupo retornou ao acampamento. Ele relatou que encontrou Thayane sozinha na barraca e estranhou.
“Quando chegamos no acampamento 1, a menina estava na barraca. Perguntei ‘cadê o Roberto?’ e ela não soube responder. Aí bateu o desespero”, contou Fábio ao G1.
Pico Paraná
O Pico Paraná tem 1.877 metros de altitude e é considerado uma trilha de alto grau de dificuldade, mesmo para pessoas experientes. Segundo montanhistas, o percurso envolve:
- Penhascos e paredões
- Uso de cordas e grampos cravados em rochas
- Mudanças rápidas de clima
- Neblina intensa
- Falta de sinal de celular
Roberto Farias Thomaz, desapareceu em uma trilha do Parque Estadual Pico Paraná.
O perfil oficial da família de Roberto, onde estão sendo publicadas informações sobre o resgate, pode ser encontrado no Instagram: