Saiba quem é Amauri Silveira: promotor alvo de um plano de assassinato do PCC
Promotor já foi ameaçado em 2013, quando recebeu uma carta que continha informações pessoais, fotografias de sua residência e de familiares

O promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Campinas, é o alvo de um plano de assassinato atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC) investigado pelo Ministério Público de São Paulo.
Ao longo da carreira, ele participou de operações que prenderam integrantes da facção, policiais civis suspeitos de corrupção e um dos maiores escândalos políticos da história de Campinas.
A trajetória do promotor já havia motivado ameaças anteriormente. Em 2013, Amauri recebeu uma carta com ameaças de morte que continha informações pessoais, fotografias de sua residência e de familiares. O remetente assinou como: “chumbo grosso com munições”.
O documento também mencionava outro promotor do Ministério Público.
Investigação expôs esquema entre policiais e traficantes

Entre os casos de maior repercussão conduzidos pelo promotor está a investigação que desarticulou um esquema envolvendo policiais civis e traficantes ligados a Wanderson Nilton de Paula Lima, conhecido como Andinho.
As apurações apontaram a participação de 13 policiais civis e 10 integrantes do tráfico de drogas. Segundo o Ministério Público, agentes públicos vazavam informações sobre operações policiais, facilitavam atividades criminosas e extorquiam traficantes em troca de vantagens financeiras.
Entre os investigados estavam delegados, investigadores, escrivães e carcereiros. Dois delegados do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) chegaram a ser presos durante a operação.
As investigações também revelaram que Andinho, preso desde 2002 em uma penitenciária de segurança máxima, continuava exercendo influência sobre o tráfico de drogas fora dos presídios.
Em julho de 2013, um suposto aliado de Andinho foi preso sob suspeita de planejar atentados contra promotores do Gaeco.
Escândalo na Sanasa levou à cassação de prefeito
Outro caso marcante da carreira de Amauri Silveira Filho foi a investigação sobre fraudes em contratos da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), de Campinas.
Deflagrada em 2011, a operação do Gaeco apontou um esquema de pagamento de propinas envolvendo políticos, empresários e servidores públicos. Segundo a acusação, empresas combinavam resultados de licitações, superfaturavam contratos e repartiam os lucros obtidos de forma irregular.
A investigação teve forte impacto político. As denúncias resultaram na abertura de processos de cassação que culminaram no impeachment do então prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos. O vice-prefeito, Demétrio Vilagra, que assumiu o cargo posteriormente, também acabou afastado.
Novo plano de execução

O nome de Amauri Silveira Filho voltou ao noticiário após uma nova fase das investigações do Gaeco identificar um plano para executá-lo.
Um ex-estagiário do próprio órgão, um investigador da Polícia Civil e um ex-investigador da Polícia Civil foram presos nesta terça-feira (9) sob a suspeita de serem infiltrados no PCC (Primeiro Comando da Capital).
As investigações apontam que eles estariam envolvidos em um plano para assassinar um promotor do Gaeco.
Durante as apurações, os investigadores descobriram que um dos suspeitos apontados como responsável pela execução do plano teria se reunido, cerca de uma semana antes da operação policial, com o chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas.
Vídeos apreendidos pelo GAECO mostram o encontro entre os dois. Agora, os promotores tentam esclarecer se informações sigilosas sobre a operação foram repassadas ao integrante da facção criminosa.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.



