Justiça manda exumar corpo de PM encontra morta com tiro na cabeça em apartamento em SP

O 8º DP, que investiga o caso, pediu a exumação porque ainda tem algumas dúvidas sobre as circunstâncias de como a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, morreu

A Justiça de São Paulo atendeu aos pedidos da Polícia Civil e do Ministério Público e mandou exumar o corpo da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos. A informação foi confirmada à Itatiaia pelo advogado da família.

Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, no Brás, região central da capital paulista.

De acordo com o advogado Miguel Silva, a exumação deve ocorrer entre esta sexta-feira (6) e sábado (7). “A família sempre apoiou [a exumação]. A família busca a verdade. A exumação deverá ocorrer entre hoje e amanhã e a família já apoia. Embora seja doloroso, muito doloroso para a família, evidentemente ela apoia”, afirmou o advogado à Itatiaia.

O caso, inicialmente, foi tratado como suicídio. No entanto, após diligências realizadas e suspeitas de que Gisele e seu marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, mantinham um relacionamento abusivo, o caso começou a ser tratado como “morte suspeita”.

A Polícia Civil chegou a fazer uma reconstituição da morte na residência do casal, na segunda-feira (2). O órgão disse ainda que continua com as apurações. Em nota, o Tribunal de Justiça de São Paulo afirmou que o caso e o processo de exumação tramita sob segredo de Justiça e por isso não pode conceder mais informações.

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que os laudos periciais que já foram concluídos estão sendo analisados pela autoridade policial.

Relembre o caso

Em depoimento à polícia, o tenente-coronel afirmou que decidiu se separar e comunicou a decisão à esposa na manhã do dia 18 de fevereiro. Segundo ele, ela reagiu de forma exaltada e o mandou sair do quarto.

Na sequência, ele afirma que foi tomar banho e, cerca de um minuto depois, ouviu um disparo. Ao sair do banheiro, afirmou ter encontrado Gisele caída no chão, com sangramento na cabeça e segurando a arma.

Ele relatou que abriu a porta do apartamento, acionou o resgate e a Polícia Militar, além de telefonar para um amigo.

De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais foram acionados com a informação de que a mulher havia efetuado um disparo contra a própria cabeça.

A vítima foi socorrida por uma equipe da Unidade de Suporte Avançado (USA) e encaminhada pelo helicóptero Águia ao Hospital das Clínicas, onde o óbito foi constatado.

Pedido para entrar novamente no apartamento

O tenente-coronel foi levado ao mesmo hospital, onde recebeu atendimento psicológico.

Após o ocorrido, com a vítima já sendo socorrida, o oficial solicitou autorização para entrar no apartamento e tomar banho. O pedido foi inicialmente negado, mas posteriormente autorizado.

Questionado, ele afirmou que acreditava que ficaria um longo período fora de casa e precisaria se deslocar para outros locais, motivo pelo qual decidiu tomar banho e trocar de roupa.

Dias que antecederam a morte

O oficial afirmou que, no dia 13 de fevereiro, havia encontrado Gisele trancada no quarto com a filha. Segundo ele, a policial retirou suas roupas do guarda-roupa e disse que iria embora e que queria o divórcio.

No dia 14, Gisele saiu com a filha pela manhã. Ele disse que foi até São José dos Campos, onde possui residência, retornando à capital no mesmo dia. Na volta, as discussões teriam continuado.

Já no dia 16, ele afirma que trabalhou nas operações de Carnaval da PM, enquanto Gisele levou a filha ao Parque da Mônica. À noite, houve nova discussão motivada por ciúmes.

Já na terça-feira, dia 17, o oficial afirmou que foi à academia do prédio e que o pai da criança compareceu para buscá-la. Segundo ele, Gisele o confrontou no local, o que gerou mais um desentendimento. No período da tarde, conversaram por cerca de duas horas sobre o relacionamento e, em seguida, foram dormir.

Relacionamento conturbado

Em depoimento, o tenente-coronel afirmou que conheceu Gisele em 2021 e que o relacionamento teve início em 2023. O casamento foi oficializado em 2024. Ele relatou que a policial já tinha uma filha, atualmente com 7 anos, de um relacionamento anterior.

Segundo o oficial, ele assumia as despesas da casa e arcava com custos como a escola da criança. Ainda conforme o depoimento, o relacionamento passou a apresentar conflitos após sua transferência para o 49º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano.

O tenente-coronel alegou que passou a ser alvo de mentiras internas, com denúncias anônimas à Corregedoria da PM sobre um suposto relacionamento extraconjugal. Ele também afirmou que imagens teriam sido adulteradas, possivelmente com uso de inteligência artificial, e que sua esposa passou a receber mensagens de perfis falsos indicando que ele teria amantes.

De acordo com o relato, esses episódios intensificaram as discussões, e o casal passou a dormir em quartos separados a partir de agosto.

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Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduado em política e relações internacionais. Tem mais de 13 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.

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