Rodoviários mantêm greve de ônibus no Rio de Janeiro após impasse em negociação
Capital fluminense amanheceu com grandes filas em estações de transporte e superlotação nos veículos; classe reinvindica melhores salários

Em assembleia realizada nesta terça-feira (30), os rodoviários do Rio de Janeiro decidiram manter a greve de ônibus até a realização de uma nova audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-1), marcada para esta quarta-feira (1º). A decisão foi tomada após uma audiência realizada nesta terça terminar sem que o sindicato patronal apresentasse uma nova proposta de reajuste salarial.
Durante a audiência, o TRT-1 e o Ministério Público do Trabalho (MPT) chegaram a sugerir que a greve fosse suspensa imediatamente enquanto as negociações avançavam, com a garantia de que os dias parados não seriam descontados. No entanto, ao submeter a proposta à votação, os trabalhadores optaram por manter o movimento de greve diante da ausência de novos índices econômicos por parte das empresas.
Reivindicações e Propostas
O abismo entre as partes permanece centralizado nas questões financeiras e de benefícios. A categoria exige:
- Piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de veículos convencionais e R$ 5 mil para condutores de articulados.
- Reajuste geral de 17% para todos os funcionários do setor.
- Tíquete-alimentação de R$ 1 mil e a implementação de planos de saúde e odontológico.
- Fim dos contratos temporários na Mobi-Rio, com migração para o regime CLT.
Até o momento, a proposta do Rio Ônibus (sindicato patronal) previa um aumento que elevaria o salário dos motoristas convencionais para R$ 3.570,31 e o auxílio-alimentação para R$689, valores considerados insuficientes pelo Sindicato.
Vandalismo e Operação Mínima
Após a assembleia, o clima foi de tensão e relatos de violência nas ruas. O Rio Ônibus denunciou que cerca de 15 coletivos foram vandalizados desde o início da paralisação. Além dos episódios de depredação dos veículos, foram registradas também agressões a profissionais que insistiam em trabalhar nesta terça-feira (30).
O sindicato dos trabalhadores, por sua vez, afirma ser contrário a atos violentos e contesta o número de ocorrências, alegando ter ciência de apenas quatro incidentes sem comprovação de participação de rodoviários.
Apesar do estado de greve, a Justiça do Trabalho mantém em vigor uma liminar que exige a circulação de pelo menos 50% da frota, sob pena de multa diária de R$ 50 mil para as entidades envolvidas. O sindicato laboral relatou dificuldades em cumprir a meta por falta de acesso às escalas de trabalho, enquanto o setor patronal informou que cerca de 1.500 ônibus circulavam na capital no início desta tarde.
O desembargador responsável pelo caso estabeleceu o prazo de segunda-feira (6), às 11h, para que as empresas apresentem uma contraproposta viável. Uma nova assembleia da categoria está agendada para a tarde do mesmo dia, em Rocha Miranda, para avaliar os próximos passos do movimento.
Veja imagens dos protestos:
Após assembleia, rodoviários decidem manter greve de ônibus por tempo indeterminado no RJ; veja imagens
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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



