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Operação mira desarticular esquema que lavou R$116 milhões para o Comando Vermelho

Investigação comandada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro conta com o apoio da instituição em outros três estados brasileiros; duas pessoas foram presas

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Operação busca desarticular esquema de lavagem de dinheiro do CV
Operação busca desarticular esquema de lavagem de dinheiro do CV • Reprodução / PCRJ

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta terça-feira (2), a Operação Riqueza Sombria, que busca desarticular um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas do Comando Vermelho (CV). A organização movimentou mais de R$ 116 milhões por meio de contas bancárias de laranjas e empresas "falsas" espalhadas por quatro estados do país, segundo a investigação.

A ação acontece simultaneamente nos estados do Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Ao todo, 18 mandados de busca e apreensão foram expedidos contra investigados e empresas suspeitas de participar da estrutura financeira da facção.

Até o momento, duas pessoas foram presas e uma arma de fogo foi apreendida. No Rio de Janeiro, os alvos estão concentrados em Cabo Frio e no Bairro do Jacaré, na Zona Norte da capital fluminense. Também há mandados sendo cumpridos em Campo Grande, Dourados e Sete Quedas, em Mato Grosso do Sul; Ribeirão Preto e Orlândia, em São Paulo; e em Formiga, em Minas Gerais.

A ação, conduzida por agentes da 96ª DP (Miguel Pereira), é articulada em apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e das Polícias Civis de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Operação acontece no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul • Reprodução / PCRJ
Operação acontece no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul • Reprodução / PCRJ

Esquema descoberto em 2020

As investigações apontam que o esquema de lavagem de dinheiro foi descoberto após uma operação realizada em julho de 2020, na Comunidade do Tatão, em Anchieta, na Zona Norte do Rio. Na ocasião, os policiais apreenderam drogas, rádios comunicadores, um simulacro de arma de fogo e comprovantes bancários — que se tornaram essenciais para o avanço das apurações.

Os documentos revelaram um padrão de depósitos em espécie realizados em agências próximas a áreas controladas pelo Comando Vermelho, especialmente na região do Complexo do Chapadão. Ainda segundo as investigações, as transferências eram feitas de forma fracionada, a partir de um método conhecido como "smurfing", para evitar alertas dos sistemas de monitoramento financeiro e dificultar o rastreamento de valores.

A Polícia Civil indica que a organização trabalhava para pulverizar em dezenas de depósitos o dinheiro obtido com a venda de drogas. As quantias eram enviadas para contas de supostos laranjas e empresas de fachada. Depois, os recursos eram redistribuídos e reinseridos no sistema financeiro formal, em uma tentativa de ocultar a origem ilícita dos valores.

Prisões em Mato Grosso do Sul

Duas pessoas foram presas em Mato Grosso do Sul • Reprodução / PCRJ
Duas pessoas foram presas em Mato Grosso do Sul • Reprodução / PCRJ

Relatórios de Inteligência Financeira identificaram que a maior parte dos beneficiários dos depósitos estava concentrada em Sete Quedas, município localizado em Mato Grosso do Sul, na fronteira com o Paraguai. Os investigadores apontam que a conexão entre a cidade e o Rio de Janeiro reforça a hipótese de que a estrutura financeira acompanhava a mesma rota utilizada pelo tráfico para a entrada de cocaína, maconha e armamentos no país.

Os levantamentos apontam que os investigados declaravam renda incompatível com as movimentações identificadas. Entre 2017 e 2021, o grupo teria movimentado mais de R$ 116,6 milhões. Uma das pessoas identificadas recebeu 54 depósitos em espécie, cuja soma chegou a quase R$ 68 mil ao longo de quatro anos, segundo as investigações.

Dois suspeitos foram presos em Mato Grosso do Sul. Durante a ação também foram apreendidos celulares, computadores e uma arma de fogo. Os agentes esperam que o material recolhido possa permitir mapear toda a estrutura de lavagem de dinheiro da organização que, de acordo com as autoridades, sustentava financeiramente as atividades do Comando Vermelho em diferentes estados do país.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.