PCC e Comando Vermelho: como nasceram as facções classificadas como terroristas pelos EUA
Organizações surgidas em presídios do Rio e de São Paulo expandiram atuação para tráfico internacional, lavagem de dinheiro e crimes transnacionais

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) a classificação do Comando Vermelho (CV) e do PCC (Primeiro Comando da Capital) como “Terroristas Globais Especialmente Designados”.
O comunicado também informa que o governo americano pretende oficializar os dois grupos como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho de 2026. As duas facções são consideradas as maiores organizações criminosas do Brasil e possuem atuação ligada principalmente ao tráfico de drogas, armas, lavagem de dinheiro e crimes transnacionais.
Comando Vermelho surgiu em presídio durante a Ditadura Militar
O Comando Vermelho foi criado há mais de cinco décadas dentro do Instituto Penal Cândido Mendes, em Ilha Grande, no Rio de Janeiro, onde presos comuns conviviam com presos políticos durante a Ditadura Militar. Inicialmente chamado de “Falange Vermelha”, o grupo nasceu em meio às denúncias de tortura, violência e condições precárias no sistema penitenciário. A convivência entre os detentos teria contribuído para a organização da facção.
Um dos principais nomes ligados à origem do grupo foi William da Silva Lima, conhecido como “Professor”, condenado por crimes como assalto a banco, extorsão e sequestro. Ele passou mais de 30 anos preso e se tornou uma das principais lideranças entre os detentos.
Com o passar dos anos, a facção passou a organizar fugas de presídios e ampliar sua atuação no tráfico de drogas, principalmente cocaína. Entre as décadas de 1980 e 1990, o CV expandiu o domínio sobre comunidades do Rio de Janeiro e fortaleceu disputas armadas por território.
Atualmente, o grupo é apontado como a maior facção criminosa do Rio de Janeiro e uma das principais organizações criminosas do país. Entre os principais nomes ligados à facção estão Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca” ou “Urso”.
- Leia também: Além de PCC e CV: quais facções da América Latina são classificados como terroristas pelos EUA
PCC nasceu após massacre do Carandiru
O PCC foi fundado em 31 de agosto de 1993 na Casa de Custódia de Taubaté, no interior de São Paulo, conhecida como “Piranhão”. A criação da facção ocorreu após o massacre do Carandiru, registrado em 1992, quando 111 detentos foram mortos durante uma operação da Polícia Militar no complexo penitenciário da capital paulista.
Nos primeiros anos, o grupo atuava principalmente dentro dos presídios paulistas, organizando rebeliões e impondo regras internas entre os detentos. A expansão da facção ganhou força a partir dos anos 2000. Em 2001, o PCC coordenou rebeliões simultâneas em dezenas de presídios de São Paulo.
Já em 2006, promoveu ataques contra policiais, delegacias, ônibus e prédios públicos, em uma das maiores crises de segurança da história do estado. Hoje, o PCC é considerado a maior facção criminosa do Brasil, com presença em todos os estados e atuação internacional em ao menos 28 países, segundo investigações do Ministério Público de São Paulo.
As autoridades apontam que a organização atua em rotas internacionais de tráfico de drogas e mantém esquemas de lavagem de dinheiro por meio de empresas, postos de combustíveis, transportadoras e fintechs. A principal liderança histórica do grupo é Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, preso em penitenciária federal desde os anos 1990, mas ainda apontado como uma das figuras centrais da facção.
* Com informações de CNN
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