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Além de PCC e CV: quais facções da América Latina são classificados como terroristas pelos EUA

Classificação americana reúne facções do Brasil, México, Venezuela e El Salvador acusadas de narcotráfico e crimes transnacionais

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Traficantes do Comando Vermelho (CV) cobriram pichação feita por união de grupos criminosos rivais no Conjunto Santa Maria, Região Centro-Sul de Belo Horizonte
Traficantes do Comando Vermelho (CV) cobrem pichação feita por união de grupos criminosos rivais no Conjunto Santa Maria, Região Centro-Sul de Belo Horizonte • Imagem cedida à Itatiaia

Após anunciar a classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho (CV) como “Terroristas Globais Especialmente Designados”, o governo dos Estados Unidos ampliou a lista de organizações criminosas latino-americanas enquadradas como terroristas.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (28) pelo Departamento de Estado americano e pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Segundo o comunicado, PCC e CV devem ser oficialmente incluídos na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho de 2026.

Além das facções brasileiras, outros grupos criminosos da América Latina já haviam sido alvo da mesma classificação pelos EUA. A lista inclui gangues salvadorenhas, facções venezuelanas e grandes cartéis mexicanos ligados ao tráfico internacional de drogas, armas, pessoas e fentanil.

Tren de Aragua (Venezuela)

Originado dentro do sistema prisional venezuelano, o Tren de Aragua (TdA) expandiu sua atuação para diversos países da América Latina e passou a ser investigado pelas autoridades americanas por tráfico humano, exploração de migrantes e outros crimes transnacionais.

O grupo ganhou notoriedade nos EUA após investigações ligarem integrantes da facção a crimes cometidos no Colorado. Durante a campanha presidencial, Donald Trump citou repetidamente o TdA como exemplo dos impactos da imigração irregular.

MS-13 (El Salvador)

A Mara Salvatrucha, conhecida como MS-13, nasceu nos Estados Unidos, entre imigrantes salvadorenhos em Los Angeles, nos anos 1980, mas se consolidou como uma das gangues mais violentas da América Central. A facção se fortaleceu após deportações em massa de integrantes para El Salvador e países vizinhos. Nos últimos anos, o governo de Nayib Bukele promoveu uma ofensiva contra o grupo, com prisões em larga escala e endurecimento das políticas de segurança.

Cartel de Sinaloa (México)

O Cartel de Sinaloa ficou mundialmente conhecido sob o comando de Joaquín “El Chapo” Guzmán e hoje é apontado pelos EUA como uma das principais organizações responsáveis pelo tráfico global de drogas e pela distribuição de fentanil no território americano. Segundo autoridades americanas, o cartel mantém uma estrutura internacional diversificada, atuando também com tráfico de armas, extorsão, prostituição e lavagem de dinheiro.

Cartel do Golfo (México)

Um dos grupos criminosos mais antigos do México, o Cartel do Golfo surgiu ainda durante a Lei Seca nos EUA e consolidou poder nas décadas seguintes na região de Matamoros, na fronteira com o Texas. O grupo foi associado ao sequestro de quatro turistas americanos no México em 2023, caso que teve repercussão internacional.

Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG)

Considerado um dos cartéis mais violentos do México, o CJNG se expandiu rapidamente após o enfraquecimento do Cartel de Sinaloa. O grupo é acusado pelos EUA de operar redes globais de tráfico de drogas e de promover ataques armados contra forças de segurança mexicanas. A facção também ficou conhecida pelo alto poder bélico e por ações coordenadas contra o Estado mexicano.

Cárteles Unidos (México)

Criado como uma aliança entre diferentes grupos criminosos mexicanos, o Cárteles Unidos surgiu para enfrentar o avanço do CJNG no estado de Michoacán. Além do narcotráfico, o grupo atua em esquemas de extorsão ligados à produção e exportação de abacate, um dos principais produtos agrícolas mexicanos.

Cartel del Noreste (México)

O Cartel del Noreste (CDN) atua na fronteira entre México e Estados Unidos e surgiu após a fragmentação dos Los Zetas. Autoridades americanas acusam o grupo de utilizar métodos considerados terroristas para controlar territórios e operar esquemas de tráfico humano e contrabando de migrantes.

La Nueva Familia Michoacana (México)

Com forte presença nos estados mexicanos de Michoacán e Guerrero, a organização é investigada pelos EUA por tráfico de drogas, contrabando de migrantes e atuação em rotas internacionais de fentanil e metanfetamina. O grupo também ficou conhecido pela figura de seu fundador, Nazario Moreno, que misturava discursos religiosos e mensagens de autoajuda dentro da facção criminosa.

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