Megaoperação que deixou 121 mortos: 10 PMs são denunciados por invadir casas e manipular câmeras

Segundo o MP, policiais teriam manipulado equipamentos de gravação e invadido casas e comércios sem autorização durante operação, realizada em outubro de 2025

Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas após a megaoperação mais letal da história do Estado.

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou mais dez policiais militares por irregularidades cometidas durante a Operação Contenção, considerada a mais letal da história com 121 mortos nos Complexos do Alemão e da Penha, em 28 de outubro de 2025. Segundo o órgão, os policiais são acusados de impedir o funcionamento adequado das câmeras corporais e de invadir residências sem autorização judicial ou consentimento dos moradores.

Em uma das denúncias, cinco policiais são acusados de manipular as câmeras corporais — equipamentos de uso obrigatório durante as operações — de forma a dificultar ou impedir a gravação das imagens. A análise feita pelo Ministério Público nas próprias gravações mostrou que, em vários momentos, os equipamentos foram posicionados de maneira inadequada, voltados para locais que impediam o registro das ações dos agentes.

Na segunda denúncia, esses mesmos cinco policiais e outros cinco militares são acusados de entrar em casas e estabelecimentos comerciais sem autorização. De acordo com o documento, os agentes teriam usado ferramentas como chaves micha, facões e chaves de fenda para abrir portas e portões. Em alguns casos, a invasão não ocorreu porque eles não conseguiram abrir os acessos.

As imagens analisadas pelo Ministério Público também indicam que alguns policiais circularam pelos cômodos das residências, mexeram em objetos e chegaram a consumir alimentos que estavam na geladeira dos moradores. As denúncias foram apresentadas pela 2ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar e envolvem agentes do Batalhão de Ações com Cães (BAC).

Outras denúncias

O MPRJ informou que já apresentou outras seis denúncias relacionadas à Operação Contenção. Ao todo, nove policiais militares já haviam sido denunciados anteriormente por diferentes irregularidades.

Entre os casos investigados estão a apropriação de um fuzil encontrado em uma casa no Complexo do Alemão, o furto de peças de um carro na Vila Cruzeiro, invasões de domicílio, constrangimento de moradores e a retirada de bens durante ações policiais. Também foram relatadas tentativas de desligar ou bloquear o funcionamento das câmeras corporais.

Com as novas denúncias, o número total chega a oito ações na Justiça contra 19 policiais militares por suspeita de irregularidades durante a operação.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o ‘Tá Sabendo’ no Instagram da Itatiaia.
Diana Rogers tem 34 anos e é repórter correspondente no Rio de Janeiro. Trabalha como repórter em rádio desde os 21 anos e passou por cinco emissoras no Rio: Globo, CBN, Tupi, Manchete e Mec. Cobriu grandes eventos como sete Carnavais na Sapucaí, bastidores da Copa de 2014 e das Olimpíadas em 2016.

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