Olhares na academia, elogios e envio de flores anônimas. O que parecia ser apenas a atitude de um admirador secreto terminou em um crime brutal após uma jovem recusar um relacionamento.
A jovem recebeu alta hospitalar neste mês, após passar 15 dias em coma e cerca de um mês internada. Sob aplausos de populares e da equipe médica, ela deixou a unidade de saúde em uma cadeira de rodas, com os braços enfaixados e cicatrizes que revelam a violência do ataque.
A mãe da estudante, Jaderluce Anisio de Oliveira, relembrou que o suspeito começou a enviar flores e chocolates anonimamente para a casa da família.
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“Ele começou ano passado a mandar pra nossa casa flores e chocolates anônimos, mais ou menos em junho. Era praticamente um buquê por mês, um buquê e chocolate sempre. Quando foi no quinto, que foi em dezembro, ele mandou o último e se identificou. Falou que era o Felipe da academia e que tinha ficado muito interessado nela. Aí
Segundo a mãe, depois disso não houve mais contato entre os dois. “Não mandou mais nada. Na academia cada um na sua. Eu não vi ele olhando pra Lana, mas pelos espelhos a gente não sabe se ele ficava monitorando os passos dela.”
Ataque dentro de casa
De acordo com as investigações, Luiz Felipe, de 22 anos, não apenas
“Quando eu cheguei lá, ele tava em cima dela esfaqueando ela. Ele não parou, ele não correu. Eu que tirei ele de cima dela. Ela estava toda ensanguentada, não dava nem para ver o rosto da minha filha. Uma cena muito impactante.” Luiz Felipe foi preso em flagrante por tentativa de feminicídio.
Rejeição e violência
Para a psicóloga Priscila Fortini, mestre em psicologia com atuação no atendimento a vítimas de violência, o caso revela a dificuldade de alguns homens em lidar com a rejeição e o sentimento de posse sobre mulheres.
“Choca a impossibilidade psíquica de lidar com a frustração, de lidar com o não. Muitas vezes esses homens são capturados por discursos que estão circulando na internet. Geralmente está envolta a ideia de que aquela mulher é um objeto para ele e, se eu não tenho, é melhor destruí-lo do que alguém tenha.”
Mesmo após sobreviver a uma agressão brutal, Alana segue com o desejo de realizar seus sonhos. “Como que vai ser o futuro dela? Se ela vai querer se relacionar, se vai querer casar. Tá difícil ser mulher. O sonho dela mesmo é ser médica, ela não tem sonho de namorar e casar.”
Outro caso de violência
Outro caso recente no Rio de Janeiro também chama atenção para a violência contra mulheres. Uma adolescente de 17 anos denunciou ter sido vítima de estupro coletivo após recusar manter relação sexual com mais de uma pessoa. Segundo a polícia, a jovem foi atraída pelo ex-namorado, também de 17 anos, até um apartamento em Copacabana, na zona sul da capital. No local estavam outros quatro homens maiores de idade.
De acordo com o delegado Ângelo Lages, além da violência sexual, a vítima sofreu diversas agressões. “Você imagina que ela estava num quarto pequeno com cinco homens praticando toda a barbárie de crimes contra ela. As lesões que o perito constatou são totalmente compatíveis com a declaração da vítima.”
Após a repercussão do caso, outras duas jovens procuraram a polícia e relataram abusos cometidos por integrantes do mesmo grupo.
Para a psicóloga Priscila Fortini, muitas vítimas enfrentam sentimentos de culpa após sofrer violência.
“As mulheres também são formadas a serem obedientes. A sociedade sempre questiona: por que ela foi fazer lá? Por que ela estava em tal lugar? Então uma mulher sofre uma violência e geralmente sofre uma segunda violência, que é o processo de revitimização.”
Segundo a especialista, é necessário discutir mais profundamente a forma como meninos e homens são educados.
“A gente tem pensado muito pouco sobre como conversar, dialogar e cuidar desses meninos. O que a gente está fazendo no dia a dia para questionar isso?”
Os quatro maiores de idade envolvidos no caso de Copacabana foram presos por estupro e cárcere privado, enquanto o adolescente foi apreendido por ato infracional análogo ao crime investigado.
A delegada Mônica Arial, titular de uma Delegacia de Atendimento à Mulher, reforça a importância das denúncias.“A denúncia é importantíssima. Sem ela, a polícia não pode agir.”