Prefeitura abre procedimento para apurar morte de bebê em policlínica na Grande BH
Davi Lucca Gonçalves de Araújo, de 1 ano e 9 meses, morreu após ser levado a uma unidade de saúde em São José da Lapa; família suspeita de negligência

A Prefeitura de São José da Lapa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, instaurou um procedimento administrativo interno para apurar a morte de Davi Lucca Gonçalves de Araújo, de 1 ano e 9 meses, ocorrida na quarta-feira (4), no Centro de Saúde Municipal Dr. Luiz Issa, conhecido como Policlínica do bairro Dom Pedro I.
Em nota, a administração municipal informou que a investigação interna pretende esclarecer as circunstâncias do atendimento e avaliar as condutas adotadas pelos profissionais de saúde envolvidos.
A morte do bebê é questionada pelos familiares, que suspeitam de negligência e apontam demora no atendimento. Parentes relataram à Itatiaia que a criança chegou à unidade com cansaço e falta de ar, mas teria aguardado para passar pela triagem e pela avaliação médica.
Segundo a avó, Aldemira Maria, a situação se agravou enquanto mãe e filho esperavam atendimento. Ela afirmou que a boca do menino começou a ficar roxa e que ele desmaiou nos braços da mãe. A família também questionou a falta de informações sobre o estado de saúde da criança durante os procedimentos de emergência.
Prefeitura apresenta cronologia do atendimento
Em nota, a Prefeitura divulgou os horários registrados pelas câmeras de segurança da unidade. Segundo a administração municipal, a família chegou ao centro de saúde às 9h39, e a triagem foi realizada às 9h53.
Confira a cronologia apresentada pela Prefeitura:
- 9h39: chegada da família ao Centro de Saúde Municipal;
- 9h53: realização da triagem;
- 10h18: atendimento médico;
- 10h22: encaminhamento da criança à sala de urgência, onde foram realizados procedimentos de emergência e reanimação;
- 11h35: chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que havia sido acionado;
- 12h34: declaração do óbito.
A administração municipal informou que a unidade utiliza o Protocolo de Manchester para classificar o risco dos pacientes e definir a prioridade dos atendimentos. A Prefeitura ressaltou, porém, que a adequação dos procedimentos adotados especificamente no caso de Davi Lucca será analisada durante a apuração.
Profissionais serão ouvidos
De acordo com a Prefeitura estão sendo realizadas oitivas com os profissionais envolvidos e uma auditoria clínica do prontuário médico.
O caso também é investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). A administração municipal informou que aguarda a conclusão das investigações e a avaliação dos elementos técnicos, incluindo os laudos periciais.
Família questiona atendimento
Os familiares afirmaram que acionaram a polícia após a morte da criança. O padrinho do menino, Douglas Souza, relatou que a família teve dificuldades para obter informações sobre o estado de saúde do bebê enquanto ele recebia atendimento.
Segundo a avó, após ser informada sobre a morte, ela chegou a procurar uma funerária e um cartório para providenciar os documentos necessários ao velório. No entanto, durante o procedimento de emissão da certidão de óbito, teria sido informada de que deveria retornar à policlínica devido a uma suspeita que levou à interrupção da emissão do documento.
Segundo ela, no hospital, um policial teria dito a ela que a unidade deveria ter chamado o rabecão para buscar o corpo do bebê para que ele passasse pelo Instituto Médico-Legal (IML). O corpo de Davi Lucca passou por exames e foi sepultado na quinta-feira (5).
A família afirma que busca esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte e cobra responsabilização caso sejam constatadas irregularidades no atendimento.
Ao final da nota, a Prefeitura manifestou solidariedade aos familiares e reafirmou que acompanha os resultados das apurações.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.
Jornalista formada pela PUC Minas, é repórter multimídia da Itatiaia com foco na editoria de Cidades. Estagiou na emissora por dois anos e atuou na Brazilian Traffic Network como repórter de trânsito em emissoras de BH. Vencedora do Prêmio CDL/BH de Jornalismo Universitário 2024 e do Intercom Sudeste 2025.
Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.





