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Criança morre após atendimento em hospital, e equipe médica é indiciada por homicídio

Investigação apontou falhas no atendimento e criança apresentou queda na oxigenação e sinais de agravamento durante a madrugada; ao todo, quatro profissionais foram responsabilizados

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Hospital Comunitário Dr. Lincoln Graça, em Joaquim Távora. • Reprodução | GoogleMaps

A morte de uma criança de 4 anos após um atendimento hospitalar na cidade de Joaquim Távora, no Norte do Paraná, levou a Polícia Civil do estado a indiciar quatro profissionais de saúde por homicídio culposo. Um médico, uma enfermeira e duas técnicas de enfermagem são apontados pela investigação como responsáveis por condutas que teriam contribuído para o agravamento do quadro e para a morte da criança.

Os fatos aconteceram entre a noite de 9 de junho e a manhã de 10 de junho de 2026. Segundo a polícia, o menino foi levado ao hospital por volta das 22h, com febre e vômitos, e permaneceu em observação depois de ser atendido pelo médico plantonista.

Entenda como tudo aconteceu

Durante a madrugada, entretanto, o estado de saúde da criança piorou. Ainda de acordo com a PCPR, a saturação de oxigênio chegou a 84%, quadro caracterizado como hipóxia. O menino também apresentou novos episódios de vômito, cansaço, extremidades frias e alteração na coloração dos lábios. A investigação concluiu que parte dessas informações não teriam sido repassada adequadamente ao médico responsável pelo plantão.

De acordo com o delegado Jean Paulo da Silva Brunhari, responsável pelo caso, a situação da criança se deteriorou progressivamente ao longo da madrugada. O menino chegou a receber oxigênio depois da queda da saturação. Conforme a investigação, porém, o médico não teria sido informado pela equipe de enfermagem sobre o episódio de hipóxia nem sobre a necessidade de administração de oxigênio.

Por volta da meia-noite, o médico recebeu uma ligação da equipe. Segundo o depoimento dele, a comunicação teria informado apenas que a criança havia vomitado. O profissional orientou a administração de medicamento, mas não teria sido informado de que a saturação da criança havia chegado a 84%. Com isso, não houve uma nova avaliação médica naquele momento.

A perícia médico-legal realizada pela Polícia Científica do Paraná apontou que os sinais apresentados pela vítima eram compatíveis com um quadro de gravidade e risco iminente de morte. Para os peritos, a evolução clínica exigia acompanhamento e intervenções compatíveis com a situação.

Família teria pedido nova avaliação

Durante a investigação, familiares relataram que perceberam a piora do menino ao longo da madrugada. Segundo os depoimentos, a criança estava agitada, sentia dores, apresentava as extremidades frias e mudança na coloração dos lábios. Diante da situação, a família teria solicitado que um médico fosse chamado para reavaliar a criança.

De acordo com o delegado, esses pedidos, porém, não foram atendidos. A investigação também apontou que, mesmo diante do agravamento, não houve transferência da criança para uma unidade de maior complexidade nem encaminhamento para tratamento intensivo. A criança morreu por volta das 8h, depois de permanecer durante toda a madrugada na unidade hospitalar.

Divergências nos depoimentos

Os investigadores identificaram contradições entre os relatos prestados pelos profissionais e pela família. Uma delas envolve o primeiro atendimento médico. O médico afirmou ter realizado exame físico na criança. A mãe, entretanto, relatou à polícia que a consulta teria se limitado à anamnese, sem que o profissional realizasse um exame físico.

Outra divergência diz respeito à solicitação de um exame para verificar se a criança estava com influenza. O médico afirmou que fez a solicitação pelo sistema eletrônico do hospital. As enfermeiras ouvidas pela Polícia Civil, porém, disseram que a rotina da unidade era que os médicos também comunicassem verbalmente à equipe quando exames fossem solicitados.

No caso do menino, segundo a investigação, o pedido foi inserido no sistema, mas não houve a comunicação verbal. O exame não teria sido realizado durante a madrugada, e o médico também não teria questionado a equipe sobre o resultado ou sobre a realização do procedimento.

Falhas no atendimento

Para chegar à conclusão do inquérito, a Polícia Civil ouviu testemunhas, analisou prontuários e registros hospitalares e solicitou uma avaliação médico-legal da documentação. O laudo elaborado pela Polícia Científica apontou falhas na assistência prestada, relacionadas ao monitoramento do quadro clínico, à comunicação entre os profissionais e à realização de medidas que deveriam ter sido adotadas diante da evolução da condição da criança.

Segundo o delegado, a perícia não concluiu que os profissionais tenham provocado a doença que acometeu o menino. O entendimento foi de que houve falhas na assistência e que elas tiveram nexo de causalidade com o resultado morte. A avaliação também indicou que uma identificação mais precoce do agravamento poderia ter aumentado as chances de sobrevivência da criança.

Quatro profissionais indiciados

Ao final do inquérito, a Polícia Civil indiciou um médico, uma enfermeira e duas técnicas de enfermagem por homicídio culposo, considerando a inobservância de regras técnicas da profissão. O homicídio culposo ocorre quando uma pessoa causa a morte de outra sem intenção de matar, mas por imprudência, negligência ou imperícia.

No caso da criança, a autoridade policial considerou que houve violação de deveres objetivos de cuidado por parte dos profissionais, levando em conta individualmente a conduta de cada um.

A investigação foi concluída e encaminhada ao Ministério Público, que deverá analisar as provas reunidas e decidir sobre as medidas cabíveis. Caberá ao órgão avaliar se oferece denúncia à Justiça e por quais crimes. Cópias do procedimento também foram encaminhadas aos respectivos conselhos profissionais para eventual apuração na esfera administrativa.

O indiciamento, no entanto, não representa uma condenação. Os profissionais ainda poderão apresentar suas versões e se defender perante a Justiça caso o Ministério Público ofereça denúncia.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

 

 

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