Quase 14 mil mulheres foram vítimas de algum tipo de violência doméstica somente no mês de janeiro em Minas Gerais, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). São cerca de 19 casos registrados por hora no estado. Diante de estatísticas tão alarmantes, o sentimento neste domingo (8) de
Nos últimos 5 anos, o número de
“No ano passado, Minas Gerais registrou 14 casos por dia de estupro de vulnerável. Os casos que chegam ao boletim de ocorrência são a ponta de um iceberg. Existem infinitamente um número maior de casos que não vão chegar nas estatísticas”, explicou a especialista.
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Entre uma série de motivos que podem explicar a crescente na violência, Matos pontua o período da pandemia de Covid-19, quando muitas mulheres foram obrigadas a fazer o isolamento social com seus agressores, e um “desmonte” de políticas públicas na última década.
“Foi um desfinanciamento das políticas. É uma cultura misógina que produz uma autorização pública à violência. O que nós estamos vivendo é uma epidemia gravíssima de violência”, emendou.
Quem vive a missão de criar futuras mulheres em um mundo tão perigoso se preocupa. Paula Regina Salvino, de 45 anos, ressalta que têm medo pelo futuro da neta de quatro anos. “Basta a gente piscar o olho, a violência com ela pequena já aconteceu. Eu acho que o mundo é daqui para pior, só de ser mulher a gente já vive o medo”, disse.
Para Fernanda Garcia, de 52 anos, não há mais garantia de que a filha possa chegar em casa bem. Mãe de uma mulher de 27 anos, ela destaca que o medo é constante. “Infelizmente, o que se passa hoje é assustador”, declarou.
Mãe de gêmeas de 3 anos, Ana Carolina Drummond afirma que, apesar do medo, a esperança é a “última que morre”. “Esperança a gente tem, né? Mas também acho que é muito difícil mudar esse cenário”, contou.
Violência se manifesta cada vez mais cedo
No Brasil, cerca de 77% das vítimas de estupro em 2024 tinha menos de 14 anos. Segundo a analista judicial e psicóloga da vara especializada em crimes contra criança e adolescente, Ana Flávia Santana, menores vítimas de crimes sexuais ou que crescem em ambientes de violência doméstica colhem os traumas ao longo de toda a vida.
“É muito comum a gente ter aqui, principalmente as meninas, se automutilando, com tentativas de autoextermínio. Todo o sistema comportamental dela vai ser prejudicado. Por estar naquela violência no dia a dia, ela vai também conviver com aquilo como se fosse a realidade e vai reproduzir aquele padrão que vivenciou durante muitos anos quando já adulta”, explicou.
De acordo com a especialista, é preciso uma conscientização transgeracional para ensinar às crianças o direito de serem protegidas, e o direito a uma vida equilibrada sem violência. “Precisamos ensinar para os nossos adolescentes que eles também precisam ser respeitados E temos que lembrar sempre para o poder público que é responsabilidade do Estado promover ações que possam ser efetivas para um futuro com menos violência”, completou.