Em 2025, 1.568 mulheres foram mortas no Brasil apenas por serem mulheres — ou seja, vítimas de feminicídio. Por trás de cada número, há histórias interrompidas e famílias devastadas pela violência. Uma
O pai de Vitória, Renato Xisto da Silva, lembra que chegou a conversar com o suspeito antes do crime.
“Quando ele veio pedir ela para poder casar com ela. Impressionante. Eu falei: ‘Olha, cara, se você algum dia não quiser estar com a Vitória mais, você não faz maldade com ela, não’. Terminou com ele no dia seguinte, numa quarta-feira, no dia da Maria da Penha, né? Marcou o encontro com ela e aí ele pegou a faca e já desferiu os golpes. Para mim foi uma coisa muito dolorida, porque eu trabalho na área de segurança. Pensa: ‘Poxa, como que eu não consegui defender minha filha?’ Porque eu sempre falei: ‘Filha, esse cara não é para você’. Eu sempre falei isso.”
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Hoje, Renato convive com a dor da perda e com o sentimento de impotência por não ter conseguido evitar a morte da filha.
“Eh, desculpa, é a impotência, sabe? De você não ter conseguido proteger ela, né? Eu não ter conseguido proteger a minha caçula. Ela era muito, muito presente na vida da gente, né? Muito presente, muito presente. E hoje minha vida tá perdida, né? Quando uma pessoa faz isso com alguém, tira a vida de alguém ou tenta tirar a vida de alguém, ele não tá tentando tirar a vida de uma pessoa, ele tá tirando a vida da família.”
Lei Maria da Penha
O relato de Renato também chama atenção para a importância de quebrar o ciclo de violência antes que ele termine em feminicídio. Um dos principais instrumentos para isso é a Lei Maria da Penha, que completa 20 anos em 2026.
A legislação garante direitos e mecanismos de proteção para mulheres que tentam sair de situações de violência doméstica.
A defensora pública Samanta Vilarinho, que atua na Defensoria Especializada na Defesa dos Direitos das Mulheres em Situação de Violência de Gênero, destaca que o principal desafio está na aplicação da lei.
Segundo a defensora, a rede de atendimento inclui os Núcleos de Defesa da Mulher (Nudens), que oferecem orientação e suporte jurídico às vítimas.
“A gente tem órgãos para atendimento individual que são os Nudens. Nós temos 25 Nudens em todo o estado de Minas Gerais. E temos na Defensoria também um órgão relativamente novo, foi formalizado em 2022, que é a Coordenadoria Estadual de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres.”
De acordo com ela, o primeiro passo é garantir um espaço seguro para que a mulher possa relatar a violência e conhecer os caminhos disponíveis para sair da situação.