Marília Campos (PT) visita projeto que distribui barracas para moradores de rua em Contagem

Projeto prevê a entrega de 150 barracas em três meses; 49 já foram distribuídas no município

Iniciativa segue decisão do STF e estabelece regras de convivência para os beneficiados

A prefeita de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Marília Campos (PT), visitou, na manhã desta quarta-feira (14), no bairro Eldorado, um dos locais onde estão instaladas barracas distribuídas pelo município para pessoas em situação de rua.

A iniciativa faz parte do projeto De Mãos Dadas, da Secretaria de Desenvolvimento Social e Segurança Alimentar, que ocorre pela primeira vez na cidade e tem como meta distribuir 150 barracas em três meses. Até o momento, 49 unidades já foram entregues, oferecendo abrigo principalmente neste período de chuvas.

Segundo a Prefeitura, há critérios para que a pessoa receba a barraca. É necessário estar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico) em Contagem e já ter utilizado os serviços de acolhimento do município.

Em entrevista à Itatiaia, a prefeita Marília Campos afirmou que o projeto atende a uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) (ADPF nº 976) e busca garantir dignidade às pessoas em situação de rua, ao mesmo tempo em que reduz conflitos com moradores e comerciantes.

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Isso porque quem aceita a barraca precisa cumprir alguns acordos, como não deixar lixo no entorno e não se instalar em frente a estabelecimentos comerciais.

A rede municipal já conta com equipamentos como abrigo de passagem e centros de reabilitação para uso de álcool e outras drogas. Ainda assim, a prefeita anunciou uma ampliação do atendimento para o primeiro semestre de 2026.

“Nós vamos inaugurar uma casa de acolhida que está sendo completamente reformada para ser um espaço de acolhimento, mas também de oficinas, para que possamos ensinar um ofício a essa população”, afirmou. O objetivo é ampliar as chances de inserção no mercado de trabalho.

Uma das mudanças previstas na política municipal é a substituição das estruturas improvisadas, como malocas de papelão, por barracas de uso pactuado.

A prefeita explicou que essas construções acabam por “trazer a casa para dentro da cidade”.

Sobre as barracas, Marília Campos ressaltou que não se trata de doação. “Não é uma doação, é uma cessão. Todas são numeradas”, disse.

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A organização permite o acompanhamento do poder público e a definição de regras de convivência, como a manutenção da limpeza e o controle periódico das unidades, além da definição dos locais de instalação para evitar conflitos.

A prefeita citou como exemplo um ponto onde pessoas em situação de rua ficavam sob a marquise de um comércio, o que gerava atritos. Com o projeto, elas foram realocadas para outro espaço, com regras acordadas. Para a administração municipal, a situação de rua é um problema complexo, ligado a fatores como dependência química, transtornos mentais e rompimentos familiares.

“A gente tenta resgatar os vínculos, porque essas pessoas formam uma grande família entre si, mas não se relacionam de forma pacífica com a cidade”, explicou Marília Campos.

Segundo ela, o diálogo e o acompanhamento individualizado podem ajudar a reduzir o número de pessoas vivendo nas ruas do município.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, foi produtor do Itatiaia Patrulha e hoje é repórter policial e de cidades na Itatiaia. Também passou pelo caderno de política e economia do Jornal Estado de Minas.

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