Hospitais filantrópicos cobram transparência da PBH sobre repasses do SUS

Federação das Santas Casas afirma que município não apresentou cronograma oficial de pagamentos em atraso

Mesmo após acordo, entidades afirmam que valores em atraso ainda não foram totalmente quitados

A Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais voltou a cobrar maior transparência da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) em relação aos repasses financeiros devidos aos hospitais filantrópicos 100% SUS da capital mineira.

Segundo a entidade, apesar de o município afirmar que orientou uma programação para regularizar os valores em atraso, até o momento nenhum cronograma oficial foi apresentado às instituições.

De acordo com a Federação Santas, a situação financeira dos hospitais é crítica. A presidente da entidade, doutora Cátia Rocha, reconheceu avanços no diálogo com o município, mas ressaltou que a falta de previsibilidade compromete o funcionamento das unidades.

“Apesar da proveitosa reunião que aconteceu na medida em que se abriu um diálogo institucional entre a Federação, entre os hospitais e o município de uma maneira realmente importante, já que contávamos com a representação do município, foi um momento em que o município assumiu a situação dos atrasos e prometeu uma regularidade.”

Segundo ela, ficou pactuado que os repasses em atraso seriam quitados até o fim de fevereiro, acompanhados de um cronograma detalhado, o que ainda não ocorreu.

“Essa regularidade nós pactuamos nessa reunião que seria acompanhada de um cronograma desses repasses e segundo o município ele quitaria tudo em atraso até o final de fevereiro, mas para que os hospitais tivessem plena convicção de que suportariam essa situação até final de fevereiro, nós precisaríamos de um cronograma desses repasses.”

A dirigente explicou que a ausência desse planejamento dificulta a gestão financeira das unidades.

“Porque é através do cronograma que as instituições conseguem fazer planejamento e ter, portanto, previsibilidade. É com uma previsibilidade que os hospitais conseguem, por exemplo, renegociar seus compromissos que estão em aberto em função desses atrasos com fornecedores.”

Cátia Rocha também destacou que a prioridade é manter salários em dia, mas alertou para os impactos na assistência hospitalar.

“Porque não adianta novamente chegarmos no próximo quinto dia útil em fevereiro e não termos realmente a mínima previsibilidade, para honrar com todos os nossos compromissos. Porque pagar os nossos trabalhadores, claro, é sempre prioridade fundamental, mas não adianta eu pagar o nosso trabalhador e não ter condições para o hospital funcionar.”

Segundo a Federação, mesmo com repasses já realizados, a dívida ainda não foi totalmente quitada.

“Existem vultosos valores ainda em aberto e o município não apresentou algo que assumiu na reunião, que era exatamente esse cronograma dos pagamentos para que os hospitais pudesse minimamente organizar os seus fluxos de caixa e ainda avaliar se teriam condições de aguardar de fato até final de fevereiro sem nenhum prejuízo para a regularidade da assistência.”

Em nota, a PBH informou que o acordo firmado com os hospitais está sendo cumprido. Segundo o Executivo municipal, somente na última semana foram repassados mais de R$ 53 milhões às instituições, e o restante dos valores será transferido ao longo dos meses de janeiro e fevereiro.

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Laura Gorino é graduanda em Jornalismo na UFOP e atua como Assistente de Comunicação na rádio Itatiaia Ouro Preto. A mineira atualmente atua na produção e apresentação do jornal e noticiários.

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