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Diarista que matou idosos em BH: tudo que você precisa saber uma semana após o crime

Veja todas as novas informações do crime que chocou familiares e moradores da capital; Cláudio Atala, de 75 anos, e a esposa, Maria Clotilde, de 76, foram assassinados dentro de casa

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Paola Stefany Neto Cirino foi presa nessa quarta (1º) suspeita de matar Cláudio Atala Inácio e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio • Imagem cedida à Itatatia

A Polícia Civil de Minas Gerais continua nesta segunda-feira (6) às investigações sobre o latrocínio — roubo seguido de morte — do casal de idosos encontrado morto no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Entre os locais que serão periciados está o apartamento onde viviam Cláudio Atala, de 75 anos, e Maria Clotilde Atala, de 76, brutalmente assassinados no dia 29 de junho. 

O crime, investigado pela Polícia Civil, chocou familiares e moradores da capital. A principal suspeita é a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, que confessou o crime e foi presa três dias depois, na quarta-feira (1º). 

Paola passou por audiência de custódia nesta sexta-feira (3). A  juíza Juliana Beretta Kirche Ferreira Pinto, negou o pedido de prisão domiciliar para diarista. 

Na decisão, a juíza reconheceu a prisão em flagrante e a converteu em prisão preventiva, destacando a gravidade do crime e o risco à ordem pública. Paola está presa no Presídio José Abranches Gonçalves, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

(Com Rômulo Ávila, Renato Rios Neto, Felipe Quintela, Oswaldo Diniz, Rebeca Nicholls, Laura Scardua, Rayllan Oliveira e Vinicius Brito)

A seguir tudo que você precisa saber:

  1. Relembre o caso
  2. Alguma arma foi apreendida?
  3. Suspeita tem laudo de insanidade?
  4. A diarista agiu sozinha?
  5. O que a suspeita roubou?
  6. Como a polícia conseguiu localizar e prender a suspeita?
  7. Quem era o casal?

Relembre o caso

  • 7h30 (segunda-feira, 29): Paola Stefany Neto Cirino chega ao apartamento para o primeiro dia de trabalho como diarista. Ela havia sido indicada por um primo de Maria Clotilde.
  • 12h30: Cláudio Atala fala ao telefone com o cunhado e diz que não irá assistir ao jogo do Brasil X Japão, pois precisava acompanhar o primeiro dia de trabalho da diarista.
  • Horário do almoço: Paola mistura comprimidos de clonazepam em um suco servido ao casal.
  • O casal fica sonolento, e Maria Clotilde adormece na sala enquanto Cláudio vai dormir no quarto.
  • Tentativa de furto: Paola tenta furtar objetos na suíte do casal mas percebe que Cláudio ainda estava acordado, e pega uma faca na cozinha.
  • Cláudio é esfaqueado cerca de 40 vezes.
  • Em seguida Paola atinge Maria Clotilde, que estava na sala, com 15 facadas.
  • Ao todo, o casal sofreu mais de 50 golpes de faca.
  • Por volta de 15h (segunda-feira, 29): A suspeita toma banho, troca de roupa e deixa o apartamento com os objetos roubados da casa.
  • Terça-feira (30): O casal é encontrado morto pelo filho, que estranhou a ausência do pai no trabalho e foi até o apartamento. 

Alguma arma foi apreendida?

Casal é encontrado morto dentro de apartamento no bairro São Pedro, em Belo Horizonte • Felipe Quintella / Itatiaia
Casal é encontrado morto dentro de apartamento no bairro São Pedro, em Belo Horizonte • Felipe Quintella / Itatiaia

Paola usou uma faca de caça para matar Cláudio e Maria Clotilde  A informação consta na decisão da juíza após a audiência de custódia

Os investigadores ainda analisam a possibilidade de que outra arma da residência tenha sido usada nos assassinatos. Para isso, a equipe utilizará luminol, substância capaz de identificar vestígios de sangue mesmo após tentativas de limpeza.

A Polícia Civil também avalia realizar, nos próximos dias, uma reconstituição do crime para esclarecer a dinâmica dos assassinatos. 

Em entrevista à Itatiaia, Vinicius Mitre, o primo de Maria Clotilde que indicou Paola para o trabalho, contou que a diarista atuava na casa dele desde outubro de 2025 e a descreveu como cuidadosa e atenciosa. 

No entanto, Vinicius relembrou que após uma viagem para Argentina, Paola voltou com comportamento estranho e disse para o patrão que tomava vários comprimidos de clonazepam para dormir. 

Suspeita tem laudo de insanidade?

Paola foi presa pela Polícia Civil • Reprodução
Paola foi presa pela Polícia Civil • Reprodução

Durante o interrogatório, a diarista afirmou que estava em um "surto psicótico" quando matou o casal de idosos. No entanto, na audiência de custódia, a juíza destacou que não existem elementos suficientes que comprovem essa alegação.

A decisão também cita exames realizados após a prisão da suspeita. Os laudos apontaram ausência de medicamentos psiquiátricos e de drogas no organismo de Paola, incluindo antidepressivos, benzodiazepínicos, cocaína, maconha, ecstasy, anfetaminas e outras substâncias.

A defesa da suspeita pediu à Justiça a realização de um incidente de insanidade mental, exame que poderá avaliar se ela tinha capacidade de compreender seus atos no momento do crime. Até agora, porém, esse exame ainda não foi realizado e nenhum documento médico foi anexado ao processo para comprovar que Paola seja portadora de algum transtorno mental. 

De acordo com a decisão que converteu em preventiva a prisão em flagrante da principal suspeita a maneira como o crime foi praticado demonstra elevada periculosidade da suspeita. O documento destaca que o casal de idosos foi morto com extrema violência dentro da própria casa e que, após o crime, houve fuga para outra cidade e tentativa de ocultar provas, o que reforça a necessidade da manutenção da prisão. 

A mulher tinha dívidas de jogos?

Em entrevista à Itatiaia, a família de Paola disse que eles chegaram a pagar uma dívida de R$ 40 mil da diarista em jogo do Tigrinho, no final do ano passado.  Já o ex-patrão dela, Vinicius Mitre, contou que em abril de 2026 quitou uma dívida de R$ 5 mil que Paola Stefany tinha com um agiota, para ajudar a mulher.

A diarista agiu sozinha?

A Polícia Civil (PCMG) identificou e ouviu nesta sexta-feira (3) o motorista de aplicativo que buscou a diarista no dia do crime.

Em comunicado divulgado pela instituição, Gustavo Barletta, delegado do Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri), descartou, preliminarmente, qualquer envolvimento do trabalhador no crime. 

"Na data de hoje, inclusive, conseguimos realizar a identificação do motorista. Trata-se de um motorista e aplicativo que, a princípio, nada tem a ver com o crime. Ele pegou uma corrida e levou a investigada até a região central de Belo Horizonte", detalhou. 

O que a suspeita roubou?

Vídeo: câmeras flagram movimentação de diarista suspeita de matar casal no São Pedro, em BH • Imagens cedidas
Vídeo: câmeras flagram movimentação de diarista suspeita de matar casal no São Pedro, em BH • Imagens cedidas

Segundo familiares, foram roubados:

  • Celulares;
  • Uma bolsa de grife de Maria Clotilde;

Entre os objetos levados está um relógio da marca Cartier avaliado em, no mínimo, R$ 50 mil. 

De acordo com o delegado Gustavo Barletta, os bens roubados foram negociados no Centro de Belo Horizonte e localizados em Vespasiano, na Região Metropolitana da capital.

"A gente acredita que ela tenha ido até o Centro de Belo Horizonte, onde negociou os bens subtraídos. As investigações tentam apurar quem são os compradores", afirmou.

Na quinta-feira (2) parte dos objetos levados foi devolvido. Segundo fontes ouvidas pela Itatiaia, o material foi devolvido por um comprador após a grande repercussão do caso. Temendo responder por receptação, ele procurou uma delegacia e entregou espontaneamente os bens que haviam sido adquiridos.

Três relógios roubados recuperados pela PC • Imagens cedidas
Três relógios roubados recuperados pela PC • Imagens cedidas

A reportagem pesquisou os valores aproximados dos relógios. Seguindo as fotos, da esquerda para a direita:

  • Cartier Ronde Louis Cartier: R$ 42.137,00
  • Relógio Ballon Bleu de Cartier: R$ 47.900,00
  • Relógio Omega Constellation: R$ 18.163,00

Como a polícia conseguiu localizar e prender a suspeita?

Em entrevista à Itatiaia tia da vítima esclareceu que na segunda-feira (29), após o crime, a mulher voltou para casa no fim da tarde.

Ela e a família moram no bairro Veneza em Ribeirão das neves. Naquela noite, a tia percebeu que ela começou a separar alguns pertences, dando a impressão de que se preparava para viajar.

Na manhã seguinte, a suspeita saiu de casa por cerca de duas horas e retornou. Questionada sobre o destino, a mulher respondeu que viajaria com o filho de 6 anos. E antes de deixar a residência, também disse à avó que ficaria hospedada em um hotel.

Na terça-feira (30), os corpos são encontrados e a PC identifica Paola como principal suspeita.

“Durante toda a investigação, a gente estava tentando manter um monitoramento dessa investigada, mas ela é muito esperta, tentou evadir, tentou trocar de aparelho de telefone celular, usou outros nomes", detalhou o delegado Barletta.

Paola Stefany Neto Cirino foi presa em um hotel, na noite de quarta-feira (1º), em Itabira, a cerca de 100 km da capital na Região Central do estado. Ela estava com o filho de 6 anos.

Paola ainda estava com parte dos itens roubados do apartamento das vítimas.  O filho de Paola já está com a família.

Quem era o casal?

As vítimas foram identificadas como o advogado Claudio Atala Inacio, 75 anos, e a esposa dele, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inacio, de 76 • Redes Sociais
As vítimas foram identificadas como o advogado Claudio Atala Inacio, 75 anos, e a esposa dele, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inacio, de 76 • Redes Sociais

Cláudio Atala Inácio era advogado, pós-graduado em Direito Empresarial pela PUC Minas e sócio-fundador do escritório Atala Inácio Advogados Associados.

Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio foi atleta durante muitos anos e, segundo familiares, era conhecida pelo carinho com a família.

Nas redes sociais, o casal compartilhava registros de viagens pelo Brasil e pelo exterior, além de encontros com parentes e amigos.

Os dois foram sepultados na tarde desta quarta-feira (1º), no Cemitério Parque da Colina, na Região Oeste de Belo Horizonte.

Durante a missa de sétimo dia do casal neste sábado (4), abalada, a irmã caçula de Maria Clotilde, Isabela Maciel desabafou:

"Muito difícil. A minha irmã era uma pessoa maravilhosa, cuidou da nossa mãe, e o Cláudio era um irmão para mim. Isso acabou com a nossa família. Levou os bens materiais e a vida dos dois de maneira cruel. Ela devia ter levado tudo, mas deixado os dois

Apesar do trauma, Isabela elogiou a rápida atuação das forças de segurança, mas revelou o sofrimento diário que enfrenta desde a perda trágica dos parentes.

"A gente espera justiça, sim. A polícia está fazendo um trabalho maravilhoso e dando a resposta que a família e o povo querem. Agora, vamos ver como vai ser o resto. Eu estou tomando remédio para dormir, estou meio fora do ar. Quando eu fecho o olho, eu vejo minha irmã e ele no caixão. É muito triste, não desejo isso para ninguém", concluiu.

Por

Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.