Desabamento de lar de idosos em BH levanta suspeita de falha estrutural ou uso irregular do imóvel

Engenheiro aponta hipóteses para o colapso do imóvel no Jardim Vitória; CREA-MG afirma não ter encontrado responsável técnico registrado para a obra

Imagens mostram estado do lar de idosos que desabou nesta quinta-feira (5) em Belo Horizonte

Um dia após o desabamento de um lar de idosos que terminou em tragédia no bairro Jardim Vitória, na Região Nordeste de Belo Horizonte, uma das principais perguntas que seguem sem resposta é: o que causou o colapso da estrutura?

No momento do acidente, não chovia na região, não houve registro de deslizamento de terra e o imóvel estava com alvará de funcionamento regular. Até agora, portanto, não há uma causa confirmada para o desabamento.

Segundo o Clemenceau Chiabi, ainda é cedo para apontar uma explicação definitiva. Ele afirma que, em casos como esse, as causas mais comuns costumam estar relacionadas a problemas na construção ou no uso do imóvel ao longo do tempo.

“Alguma falha de execução ou uso de material inadequado”, explica o especialista, ao citar possíveis erros ainda na fase de construção.Ele destaca que problemas também podem surgir durante a utilização do imóvel, especialmente quando há modificações estruturais ou falta de manutenção.

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“Na segunda etapa vem a fase de uso do imóvel. Seria uma falta de manutenção, uma manutenção inadequada ou uma modificação do imóvel — tirar um pilar, tirar uma parede, construir um outro pavimento acima”, afirma.

O engenheiro acrescenta que mudanças na forma de uso da edificação também podem comprometer a estrutura.“Pode ocorrer, por exemplo, a utilização em desacordo com aquilo que foi projetado. Um imóvel projetado para ser residencial, com poucas pessoas, passa a ser usado para outra finalidade, como uma sala de aula, uma biblioteca ou uma academia”, diz.

Ele também não descarta a possibilidade de algum fator externo ter contribuído para o desabamento.“Por fim, pode haver algum agente externo, como um abalamento, um acidente ou até um carro que bateu em um pilar”, pontua.

Apesar das hipóteses, o engenheiro reforça que ainda não há elementos suficientes para apontar a causa do acidente.“Eu não tenho nenhuma informação que possa dar nenhuma pista, especialmente porque a gente não sabe como ele foi concebido. É preciso comparar como ele foi projetado com a realidade de uso atual e verificar se houve algum evento externo”, afirma.

O gerente do departamento de fiscalização do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG), Nicolau Neder, afirmou que o órgão acompanha o caso e realiza levantamentos sobre a regularidade técnica da obra.

“A fiscalização do CREA Minas tem justamente o objetivo de verificar se obras, serviços e demais atividades ligadas à engenharia foram realizadas por profissionais habilitados”, explica.

Segundo ele, até o momento, não foi encontrada no sistema do conselho documentação que comprove a participação de um responsável técnico no projeto ou na execução da edificação.

“Para o caso da edificação que veio a desabar em Belo Horizonte, nós não identificamos no nosso banco de dados nenhuma documentação que indicasse a participação de um responsável técnico no projeto e na execução deste empreendimento”, afirma.

Neder também destacou a importância do plano de manutenção das edificações, previsto em normas técnicas brasileiras.“É importante que, para além da construção, cada edificação tenha o seu plano de manutenção. Esse plano determina a periodicidade de avaliações estruturais, além de verificações nas instalações elétricas e hidráulicas”, diz.

Ele reforça que essas inspeções devem ser feitas por profissionais habilitados.“É muito importante a contratação de profissionais habilitados e registrados no CREA-MG para realizar essas avaliações”, conclui.

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Formado em jornalismo pela PUC Minas, foi produtor do Itatiaia Patrulha e hoje é repórter policial e de cidades na Itatiaia. Também passou pelo caderno de política e economia do Jornal Estado de Minas.

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