De ônibus na Avenida Afonso Pena: mais de 4 milhões de passageiros criam laços no tradicional trajeto de BH
Rotas de ônibus que passam pela avenida Afonso Pena são espaços vivos que se transformam conforme o olhar e a vida de cada passageiro

Da praça Rio Branco à praça da Bandeira, as linhas de ônibus que percorrem a avenida Afonso Pena atravessam Belo Horizonte e constroem a paisagem vivida por milhões de mineiros. Segundo dados da Prefeitura de Belo Horizonte, mais de 4,1 milhões passageiros passaram pelas linhas 1030, 104, 1170, 4103, 4108 - que têm rota na avenida - entre janeiro e setembro desse ano.
Três dessas pessoas são: a professora aposentada, Maria Perpétua Camargos, o vendedor ambulante, Marcelo da Silva Santos e o motorista de ônibus Nelírio José Monteiro Neto. Cada um deles, têm para si, uma memória afetiva da rota que vai do centro de BH ao bairro Mangabeiras.
A rota de trabalho e sustento
Mais do que um trajeto de um destino ao outro, para Nelírio, que trabalha como motorista da linha 4108, a Afonso Pena representa o sustento dele."Eu considero a Afonso Pena uma das principais avenidas de Belo Horizonte, é ela que leva dos mais jovens aos mais velhos aos cartões postais de BH. Eu faço essa rota há cinco anos já", afirma.
Para ele, a rota que poderia cair na rotina e ser monótona é um momento de apreciação da cidade. "A gente acaba acostumando e gostando das paisagens. O clima aqui em cima [na região do Mangabeiras] é muito agradável. A vista é outra e é tudo mais bonito", comenta.
Assim como Nelírio, o trajeto na avenida Afonso Pena transformou a vida de Marcelo dos Santos, baiano recém-chegado em BH, mas que faz sucesso com público mineiro na venda de eletrônicos nos ônibus. "É uma avenida que as pessoas tratam a gente bem. Compra bastante o material na minha mão. Tenho pouco tempo aqui, sou de Salvador, mas aqui, realmente, a galera abraça e é muito educada", afirma o vendedor ambulante.
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Carnaval na avenida!
Não é só de trabalho que vive a avenida, ela também é local de festa. A rota vista por muitos belo-horizontinos como o ponto do Carnaval na última década, segundo Maria Perpétua Camargos, na década de 1970, foi local de grandes folias. "Um momento marcante na minha vida que aconteceu na minha vida foram os carnavais. Eles eram maravilhosos. A gente vinha, pulava, brincava. A juventude era maravilhosa e eu vinha muito aqui com os meus amigos e as minhas amigas", relembrou a professora aposentada.
Quem acredita que o Carnaval da Afonso Pena é novidade, está muito enganado. O primeiro carnaval de BH aconteceu em fevereiro de 1897, há 127 anos. Naquela época, homens vestidos de mulher desfilavam atrás de carroças saindo da Praça da Liberdade até a avenida.
Ana Luisa Sales é jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, já passou por empresas como ArcelorMittal e Record TV Minas. Atualmente, escreve para as editorias de cidades, saúde e entretenimento



