Alice Maciel: polícia investiga como criança autista desapareceu

Alice Maciel foi encontrada nesse sábado (31), dois dias após desaparecer no distrito de Bituri, na zona rural de Jeceaba, na Região Central de Minas Gerais

Alice Maciel foi encontrada nesse sábado (31)

A Polícia Civil (PC) vai investigar as circunstâncias ainda misteriosas do desaparecimento da pequena Alice Maciel Lacerda Lisboa, de 4 anos. A criança, autista não verbal, que ficou cerca de 48 horas desaparecida no distrito de Bituri, zona rural de Jeceaba, na Região Central de Minas, foi encontrada nesse sábado (31).

Alice foi localizada por um dos vários voluntários que ajudavam os bombeiros e a Polícia Militar nas buscas. Segundo ele, ao pedir a um amigo que assobiasse, sinalizando sua localização para outro voluntário, um grito foi ouvido. “Aí a gente começou a subir em direção de onde estava vindo o grito. Chegando lá perto, ela se escondeu, abaixou no mato, mas aí a gente conseguiu chegar perto dela”, contou Guilherme.

“No momento em que ela se levantou, a gente foi se aproximando calmamente para ela não se assustar. Aí o Sandrino [outro voluntário] deu os braços para ela, do outro lado da cerca de arame, ela veio no colo dele, se acalmou, não gritou mais, deitou no ombro dele e nisso a gente desceu”, acrescentou ele.

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Com pequenos arranhões, Alice foi levada a um hospital, onde recebeu soro, passou por exames, foi alimentada e ganhou alta médica.

Família diverge sobre o que pode ter acontecido com Alice

Luiz César Gomes de Moraes, avô de Alice, acredita que ela tenha sumido sozinha. “A gente tem várias hipóteses, né? Mas eu creio que ela saiu para a estrada e foi descendo. O meu coração diz que é isso. E aqui, como a estrada é um pouco remota, então é muito difícil a gente encontrar as pessoas. Passa carro, mas não é com frequência”, disse.

“Estou indo por essa linha para não achar que o ser humano seja tão ruim a ponto de pegar uma criança para poder fazer uma coisa dessas, escondê-la da gente para querer fazer alguma coisa. Eu acredito que ela saiu e foi descendo, infelizmente, se perdeu. As expressões dela são só por gestos. Vai ficar esse mistério aí, mas, graças a Deus, o mais importante é a vida dela”, completou.

Por outro lado, a avó de Alice, Andreia Maria do Vale, acredita que ela tenha sido raptada por alguém e que essa pessoa se assustou com a repercussão do caso. Segundo ela: “A Alice não desceu pela mata, ela não anda no mato. Ela praticamente mora aqui em casa também, ela nunca desceu na mata. Alguém a pegou aqui. Pela probabilidade dos cães que farejaram, pegaram na beira da piscina e desceram para a trilha. Se ela realmente esteve com uma pessoa, eu quero agradecer, porque se ela estivesse na mata, na chuva, talvez a gente hoje estaria com o corpo da Alice”.

A mãe de Alice, Karine Maciel, disse estar aliviada. “Tudo o que eu queria era isso aqui: minha filha aqui, quentinha dentro de casa, alimentada. Ela está bem, está medicada. A primeira coisa que eu fiz foi medicá-la, porque ela estava bem nervosa. Só tenho a agradecer a Deus e à Virgem Maria por terem trazido minha filha de volta. Todo mundo que, assim, não arredou o pé daqui para achá-la, empenhado em achá-la. A polícia está em investigação, sabe, mas alguma resposta a gente vai ter; no entanto, isso para mim, agora, é o de menos”, concluiu.

Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.

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