O homem que matou a própria mãe, de 82 anos, na noite dessa terça-feira (20), no bairro Piratininga, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte, foi diagnosticado com esquizofrenia e era dependente químico. A vítima,
Além de matar a idosa, o homem também agrediu gravemente o sobrinho-neto, um adolescente de 14 anos.
Segundo o irmão do autor, o problema com as drogas começou ainda na adolescência. “Ele tinha entre 16 e 17 anos quando começou. A gente já percebia que o comportamento não era normal, sabia que não era coisa boa”, relatou na manhã desta quarta-feira (21).
Com a maioridade, a situação teria se agravado. De acordo com o irmão, aos 18 anos ele passou a ter liberdade total e se ausentava de casa por dias seguidos. “Ele saía e só voltava dois, três dias depois. Daí pra frente foi só piorando”, contou.
Em determinado período, Cassiano chegou a morar em Lagoa Santa, mas acabou sendo retirado do local após conflitos. “O pessoal que cedeu o imóvel ligou pra família e falou: ‘Vem buscar o rapaz, porque uma hora vai acontecer alguma coisa’. Ele não respeitava ninguém, queria mandar no lugar, som alto, confusão”, disse. A família tentou interná-lo em uma clínica, mas ele não quis permanecer.
Posteriormente, ele ficou internado por cerca de seis meses em uma clínica em Ribeirão das Neves. Segundo o relato, ao descobrir que a família custeava o tratamento, ele fugiu da unidade, em 2020.
Ainda conforme o familiar, há cerca de dois anos Cassiano recebeu o diagnóstico de esquizofrenia. “Ele até arrumou uns bicos, mas o dinheiro da quinzena era só pra droga e bebida. Parou com o tratamento, mas não parou com a dependência”, afirmou.
Uma semana antes do crime
Na segunda-feira (19) que antecedeu o crime, a mãe do suspeito demonstrou preocupação. “Ela me ligou no trabalho e disse: ‘O Cassiano não tá muito bem não, tô escutando ele quebrar coisa dentro do quarto’”, contou. A irmã foi até a casa para verificar a situação e, segundo o familiar, naquele momento tudo parecia tranquilo.
“Minha irmã falou que ele estava sentado na varanda, disse estar tranquilo, mas tremia demais. Ela perguntou se ele estava tomando o remédio, e ele respondeu que não, que era só ansiedade”, relatou.
A irmã deixou a casa por volta das 22h e informou que não seria mais necessário que ele fosse até o local.
Na noite seguinte, preocupado, o irmão voltou a ligar para a mãe. “Às 11 horas liguei perguntando se estava tudo bem. Depois, por volta das 4 da manhã, minha irmã também ligou, e minha mãe disse estar tudo bem. A gente ficou tranquilo”, afirmou.
No entanto, horas depois, a família recebeu a notícia do crime. “Me ligaram dizendo que não estavam achando minha mãe e meu sobrinho. Falaram que meu sobrinho estava muito mal no Hospital Risoleta Neves, entre a vida e a morte”, disse.
O ataque
Segundo o familiar, o homem atacou a mãe e o sobrinho-neto com um pedaço de madeira e algum objeto perfurante. “Eu não vi faca, mas alguma coisa de perfurar tinha”, afirmou. Ele acredita que o filho teve um surto violento, chegando a isolar as vítimas na varanda da casa. Um cachorro da família também morreu durante o ataque, ao tentar defender a idosa.
O adolescente de 14 anos permanece internado em estado grave, porém estável. Segundo informações médicas, ele sofreu afundamento de crânio e apresenta sinais de esganadura no pescoço.
“Agora o que eu espero é que ele pague pelo que fez e que a justiça seja feita”, concluiu o familiar.
Histórico policial
Ainda conforme os relatos, o autor já tinha passagens pela polícia: foi preso em 2020 por estupro e, em 2023, por lesão corporal após agredir um familiar.
Após o crime, o suspeito foi detido por militares da Polícia Militar de Minas Gerais e encaminhado à delegacia. A ocorrência segue sob investigação da Polícia Civil de Minas Gerais.