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PF prende policial civil acusado de corrupção por delator do PCC morto em aeroporto

Cyllas Elia foi preso nesta terça-feira (26) durante a Operação Tai-Pan; policial é CEO de empresa investigada por crimes financeiros que movimentaram R$ 6 bilhões

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Elia é policial do Deic (Departamento Estadual de Investigações) e CEO do banco digital 2GO Bank • Reprodução / Redes sociais

A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira (26) o policial civil Cyllas Elia, que foi acusado de corrupção pelo delator do PCC morto a tiros no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Elia é policial do Deic (Departamento Estadual de Investigações) e CEO do banco digital 2GO Bank. Segundo a PF, a empresa estaria ligada à organização criminosa voltada à prática de crimes contra o sistema financeiro, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Os investigados teriam movimentado R$ 6 bilhões nos últimos 5 anos, sendo R$ 800 milhões apenas em 2024.

O policial foi delatado à Corregedoria da Polícia Civil e acusado de corrupção pelo empresário Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, de 38 anos, delator do PCC (Primeiro Comando da Capital), assassinado a tiros no último dia 8 no aeroporto internacional de Guarulhos.

A Operação Tai-Pan também prendeu o capitão da Polícia Militar Diogo Costa Cangerana, que atuou na Casa Militar e comandava uma Companhia do 13º Batalhão, no Brás, região central de São Paulo. O oficial é apontado como articulador do esquema, segundo a PF.

Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 41 mandados de busca e apreensão em seis estados brasileiros e no exterior.

2GO Instituição de Pagamentos

Em resposta enviada à Itatiaia, a 2GO Instituição de Pagamentos afirmou que "ainda não teve acesso aos autos do inquérito da operação da Polícia Federal desta terça-feira (26). A empresa segue rigorosas políticas de compliance, anticorrupção e de combate à lavagem de dinheiro, que obedecem aos padrões de mercado mais elevados — todas públicas, disponíveis em seu site. A 2GO acrescenta que está colaborando com as investigações e segue à disposição das autoridades".

Executado no aeroporto de Guarulhos

O empresário Antônio Vinicius Gritzbach foi assassinado a tiros no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, um dos maiores do país. Criminosos encapuzados saíram de um carro preto e executaram o empresário usando fuzis.

Segundo o órgão, outras testemunhas estão sendo ouvidas pela Polícia Civil. Um carro, supostamente usado pelos atiradores, foi apreendido pela Polícia Militar.

A investigação também descobriu que quatro policiais militares faziam a escolta da vítima no momento do ataque. Eles tinham sido contratados para cuidar da segurança pessoal Gritzbach, que vinha sendo ameaçado pela facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC).

Apesar de terem sido contratados para fazer a escolta de Gritzbach, os agentes não conseguiram evitar a morte do corretor de imóveis. Os quatro foram afastados da corporação e são investigados pela Corregedoria da Polícia Militar.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde