Um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com o The Pleasure Project aponta que cerca de uma em cada 20 pessoas deixa de usar métodos contraceptivos, mesmo precisando deles, por perceber impactos negativos na vida sexual. Os efeitos variam conforme o método utilizado e o organismo de cada pessoa. As informações são do Jornal da Universidade de São Paulo (USP).
Segundo o ginecologista José Maria Soares, da Faculdade de Medicina da USP, anticoncepcionais hormonais podem provocar queda da libido, alterações de humor e até ressecamento vaginal em algumas mulheres.
Isso acontece porque esses métodos interferem na produção hormonal, inclusive de androgênios, que também influenciam o desejo sexual.
No caso do DIU hormonal, apesar de reduzir o sangramento e o desconforto, podem surgir efeitos que afetam o bem-estar emocional.
O especialista destaca que não existe método contraceptivo ideal para todas as pessoas. Cada mulher reage de forma diferente, especialmente quem tem condições como a síndrome dos ovários policísticos.
Por isso, a escolha do método deve ser feita com acompanhamento médico, com reavaliações periódicas, geralmente a cada três a seis meses.
Soares também ressalta que nem toda mudança na vida sexual está ligada ao uso de anticoncepcionais. Questões emocionais, problemas de saúde e até a dinâmica do relacionamento podem influenciar a libido.
Nesses casos, além do ginecologista, outros profissionais, como psicólogos e psiquiatras, podem ajudar. O mais importante, segundo ele, é conversar, investigar a causa e ajustar o método quando necessário.