Cólera volta após 18 anos: entenda por que não há vacina disponível no Brasil
Imunizantes são reservados para países onde há um grande número de infectados; dados preliminares da OMS indicam que houve 700 mil casos da doença em todo o mundo em 2023

O Brasil registrou o primeiro caso de cólera autóctone (que teve origem no local onde ocorreu o diagnóstico) nesta semana. O paciente é um homem de 60 anos, que mora em Salvador, na Bahia, e não viajou ou teve contato com pessoas vindas de países com casos confirmados. A doença havia sido registrada pela última vez no Brasil em 2005.
A cólera é transmitida por água ou alimentos contaminados e pode ser letal. A doença é caracterizada por episódios de diarreia e vômito, que podem ser intensos, causando uma grave desidratação do infectado. A prevenção está relacionada ao saneamento básico, a uma boa higienização dos alimentos e ao consumo de água tratada.
Vacina não está disponível no Brasil
A vacina contra a cólera também é uma importante forma de prevenção da doença. Porém, os imunizantes não estão disponíveis em todos os países. Eles são reservados para as localidades onde há um grande número de contaminados.
"[A confirmação] gera uma preocupação porque a gente já estava há um tempo sem ter casos de cólera confirmados. Com esse primeiro caso, realmente acende o alerta para focarmos na questão do saneamento básico. Mas é muito precoce falar em risco de surto. Isso serve para a gente ficar atento e tentar identificar como aconteceu a contaminação para impedir que a doença se alastre”, afirma.
OMS aprova imunizante oral
Na última sexta-feira (19), a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou a versão oral do imunizante. Segundo a OMS, a vacina Euvichol-S é uma fórmula simplificada da Euvichol-Plus, com menos compostos, o que deve permitir o aumento da sua produção. O composto é produzido pelo grupo sul-coreano EuBiologics e tem eficácia semelhante à das formulações mais complexas.
“A nova vacina é o terceiro produto da mesma família de vacinas que temos para a cólera em nossa lista de pré-qualificação da OMS”, disse Rogério Gaspar, diretor do departamento de regulação da agência de saúde da ONU.
Segundo a OMS, houve uma explosão dos casos de cólera nos últimos anos em todo o mundo. Em 2022, a organização registrou 473 mil, o dobro de 2021. Segundo dados preliminares, houve 700 mil casos em 2023. Atualmente, 31 países reportam casos de cólera e a região africana é a mais afetada.
O recente aumento da demanda por vacinas causou uma escassez do produto. Para combater a doença, a OMS passou a recomendar uma dose da vacina, ao invés de duas.
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.


