Veja tudo o que se sabe sobre o caso do desinfetante usado para matar pacientes em hospital do DF

Técnico de enfermagem confessou ter usado medicamento e desinfetante para envenenar três pacientes no Hospital Anchieta, em Taguatinga; outras duas profissionais também são investigadas

As vítimas são: Marcos Raymundo Fernandes Moreira, Miranilde Pereira da Silva e João Clemente Pereira.

O principal suspeito de ter envenenado três pacientes com altas doses de um medicamento e desinfetante no Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal, confessou à Polícia Civil que cometeu o crime. Durante o caso, o técnico de enfermagem, de 24 anos, injetou cerca de 13 aplicações de desinfetante retirado da pia do leito em uma das vítimas.

Além dele, outras duas técnicas de enfermagem, uma de 28 e outra de 22 anos, também são acusadas de participar do crime. As mortes aconteceram em novembro e dezembro de 2025. O caso, no entanto, só se tornou público nesta segunda-feira (19).

Conforme a investigação, o homem aplicou altas doses de um medicamento nos pacientes, utilizando o produto como veneno, além do desinfetante. Segundo o delegado responsável pelo caso, Wisllei Salomão, o suspeito chegou a negar o crime, mas acabou confessando após imagens internas do hospital confirmarem as ações.

A suspeita de 22 anos, que também assumiu participação no crime, afirmou que se arrependeu de não ter impedido o colega de trabalho.

“Ele colocou o desinfetante em um copo plástico, aspirou com a seringa e aplicou o conteúdo mais de dez vezes”, relatou Salomão.

A polícia confirmou ainda que o homem trabalhava na área da saúde havia cerca de cinco anos. Os três suspeitos foram demitidos, e a investigação continua para apurar se há outras vítimas no Hospital Anchieta ou em outras unidades onde o técnico atuou. Todos estão presos temporariamente por 30 dias.

Veja quem são as vítimas do envenenamento

Os pacientes apresentaram quadros de gravidade diferentes:

  • João Clemente Pereira, de 63 anos
  • Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos
  • Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos

De acordo com a família de João Clemente, o idoso deu entrada no Hospital Anchieta no dia 4 de novembro com tonturas e precisou passar por um procedimento para drenagem de um coágulo na cabeça. Ele apresentou complicações respiratórias e foi encaminhado à UTI. No dia 17, o paciente sofreu uma piora no quadro, teve uma parada cardíaca e morreu.

Ainda segundo a Polícia Civil, o técnico de enfermagem de 24 anos também utilizou a senha de um médico para emitir uma receita falsa do medicamento. No mesmo dia, ele foi até a farmácia do hospital e aplicou o remédio nas três vítimas sem o conhecimento da equipe médica. O suspeito também teria realizado massagens cardíacas nos pacientes para tentar disfarçar a ação criminosa.

Hospital Anchieta em Taguatinga no DF.

O que diz o Hospital Anchieta:

O Hospital Anchieta informou, em nota, que demitiu os três auxiliares após um comitê interno identificar “circunstâncias atípicas” nas mortes de pacientes internados na UTI.

Segundo o hospital, a investigação interna durou menos de 20 dias e resultou na identificação de evidências que foram integralmente repassadas à Polícia Civil. A instituição afirmou ainda que é vítima da ação dos ex-funcionários, que se solidariza com os familiares das vítimas e que colabora de forma irrestrita com as autoridades.

O que diz o Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal:

"(Coren-DF) informa que tomou conhecimento dos fatos noticiados pela imprensa envolvendo mortes suspeitas de pacientes em uma unidade hospitalar do Distrito Federal. Diante da gravidade das informações divulgadas, o Coren-DF esclarece que está acompanhando o caso e adotando as providências cabíveis no âmbito de sua competência legal.

Ressalta-se que o caso também está sob investigação das autoridades competentes e tramita na esfera judicial. Dessa forma, neste momento, não é possivel emitir juízo de valor ou qualquer conclusão definitiva, devendo ser respeitados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa dos envolvidos.

O Conselho segue compromissado com a segurança do paciente, a ética profissional e a defesa de uma enfermagem qualificada, responsável e comprometida com a vida”.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o ‘Tá Sabendo’ no Instagram da Itatiaia.

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