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Além dele, outras duas técnicas de enfermagem, uma de 28 e outra de 22 anos, também são acusadas de participar do crime. As mortes aconteceram em novembro e dezembro de 2025. O caso, no entanto, só se tornou público nesta segunda-feira (19).
Conforme a investigação, o homem aplicou altas doses de um medicamento nos pacientes, utilizando o produto como veneno, além do desinfetante. Segundo o delegado responsável pelo caso, Wisllei Salomão, o suspeito chegou a negar o crime, mas acabou confessando após imagens internas do hospital confirmarem as ações.
A suspeita de 22 anos, que também assumiu participação no crime, afirmou que se arrependeu de não ter impedido o colega de trabalho.
“Ele colocou o desinfetante em um copo plástico, aspirou com a seringa e aplicou o conteúdo mais de dez vezes”, relatou Salomão.
A polícia confirmou ainda que o homem trabalhava na área da saúde havia cerca de cinco anos. Os três suspeitos foram demitidos, e a investigação continua para apurar se há outras vítimas no Hospital Anchieta ou em outras unidades onde o técnico atuou.
Veja quem são as vítimas do envenenamento
Os pacientes apresentaram quadros de gravidade diferentes:
- João Clemente Pereira, de 63 anos
- Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos
- Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos
De acordo com a família de João Clemente, o idoso deu entrada no Hospital Anchieta no dia 4 de novembro com tonturas e precisou passar por um procedimento para drenagem de um coágulo na cabeça. Ele apresentou complicações respiratórias e foi encaminhado à UTI. No dia 17, o paciente sofreu uma piora no quadro, teve uma parada cardíaca e morreu.
Ainda segundo a Polícia Civil, o técnico de enfermagem de 24 anos também utilizou a senha de um médico para emitir uma receita falsa do medicamento. No mesmo dia, ele foi até a farmácia do hospital e aplicou o remédio nas três vítimas sem o conhecimento da equipe médica. O suspeito também teria realizado massagens cardíacas nos pacientes para tentar disfarçar a ação criminosa.
Hospital Anchieta em Taguatinga no DF.
O que diz o Hospital Anchieta:
O Hospital Anchieta informou, em nota, que demitiu os três auxiliares após um comitê interno identificar “circunstâncias atípicas” nas mortes de pacientes internados na UTI.
Segundo o hospital, a investigação interna durou menos de 20 dias e resultou na identificação de evidências que foram integralmente repassadas à Polícia Civil. A instituição afirmou ainda que é vítima da ação dos ex-funcionários, que se solidariza com os familiares das vítimas e que colabora de forma irrestrita com as autoridades.
O que diz o Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal:
"(Coren-DF) informa que tomou conhecimento dos fatos noticiados pela imprensa envolvendo mortes suspeitas de pacientes em uma unidade hospitalar do Distrito Federal. Diante da gravidade das informações divulgadas, o Coren-DF esclarece que está acompanhando o caso e adotando as providências cabíveis no âmbito de sua competência legal.
Ressalta-se que o caso também está sob investigação das autoridades competentes e tramita na esfera judicial. Dessa forma, neste momento, não é possivel emitir juízo de valor ou qualquer conclusão definitiva, devendo ser respeitados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa dos envolvidos.
O Conselho segue compromissado com a segurança do paciente, a ética profissional e a defesa de uma enfermagem qualificada, responsável e comprometida com a vida”.