Caso 'Tio Paulo': mulher presa por vilipêndio de cadáver tem filha com deficiência
Erika Vieira Nunes foi presa na terça-feira (16) acusada de vilipêndio de cadáver e furto

A defesa de Erika Vieira Nunes, mulher presa após levar o corpo de Paulo Roberto Braga para fazer um empréstimo no banco, tenta revogar a prisão preventiva dela. Isso, porque, conforme laudo médico, ela tem uma filha de 14 anos com deficiência que precisa de cuidados especiais.
Em audiência de custódia nessa quinta-feira (18), Erika teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva. Ela foi presa na terça-feira (16) acusada de vilipêndio de cadáver e furto mediante fraude, na ocasião ela tentou sacar um empréstimo de R$ 17 mil no nome Paulo Roberto Braga, de 68 anos.
Ana Carla Souza Correa, afirmou que Erika era a responsável por cuidar do idoso, já que ela era a única da família que ficava em casa porque tinha que cuidar da filha com deficiência. Um laudo apresentado pela defesa atesta que desde a infância da adolescente, ela possui dificuldade na fala e no desenvolvimento psicomotor.
"Ele ficava mais aos cuidados de Erika porque ela ficava mais em casa, por conta da filha dela que precisa de cuidados especiais. Eventualmente, Erika fazia um trabalho como cabeleireira, mas ficava mais em casa. Quando ele começou a ficar debilitado, ela era quem o acompanhava em hospital. Sempre foi ela", apontou Correa após audiência de custódia.
A defesa alega que não é porque o caso é inusitado e porque gerou repercussão nacional e internacional que Erika deve receber um tratamento diferenciado. "Poderia ter sido aplicado a ela o artigo 318 do Código de Processo Penal por equiparação. Erika tem uma filha especial [com deficiência] e é a guardiã. A filha precisa dos cuidados dela", afirmou. O artigo mencionado pela advogada prevê que a prisão preventiva pode ser substituída pela domiciliar caso o suspeito seja imprescindível nos cuidados de pessoa com deficiência.
Em depoimento, uma irmã de Erika, que mora próximo da suspeita, afirmou que a vítima não tinha parentes próximos, como filhos ou esposa. Segundo a mulher, Paulo Roberto Braga cuidava das próprias finanças e ela não teria o visto depois que ele foi internado no dia 8 de abril. Apenas Erika visitava o idoso.
A suspeita afirmou em depoimento à Polícia Civil que estava com estado emocional abalado e sob efeito de medicação de uso controlado. Ela alegou que estava com "com reflexos desestabilizados e sem controle normal dos sentidos, devido aos efeitos da medicação".
Ana Luisa Sales é jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, já passou por empresas como ArcelorMittal e Record TV Minas. Atualmente, escreve para as editorias de cidades, saúde e entretenimento



