O piloto Sérgio Antônio Lopes, de 62 anos,
Sérgio já sabia o motivo da prisão: “Você sabe o motivo que a gente está aqui?” perguntou um policial. “Sei. Eu quero responder tudo o que for possível”, respondeu o piloto, que pagava entre R$ 50 (por imagens ) e de R$ 200 a R$ 500 (para manter relação sexual).
Na sequência, ele assumiu que saia com as meninas e ainda mostrou conteúdos das vítimas que mantinha no celular. Sérgio se aproximava das crianças por meio de familiares. Em um dos casos, ele disse que conheceu duas irmãs, de 12 e 15 anos, por meio da avó delas. Além disso, o piloto revelou que levava as vítimas para um motel, usando documentos de mulheres adultas.
Além de estuprar as meninas, Sérgio ameaçava matar parentes das vítimas, para evita ser denunciado.
A delegada Luciana Peixoto chegou a buscar as adolescentes em casa ou até na escola. “Ficou claro que os crimes eram cometidos quando ele ia trabalhar. E, provavelmente, ele só estaria com as provas pessoalmente durante esse período”, disse ao Fantástico.
Uma mulher de 53 anos, avó de duas adolescentes, está sendo investigada por supostamente consentir e auxiliar na aproximação entre suas netas e um piloto. Ela também foi presa, assim como uma terceira pessoa, ligada ao piloto, foi detida em flagrante por armazenar material visual (fotos e vídeos) de exploração infantil.
Mãe
A investigação revelou que o alcance do crime é maior do que o núcleo familiar inicialmente identificado. Outras jovens foram reconhecidas como vítimas, incluindo colegas de escola da filha de uma mulher que acionou a polícia após uma denúncia anônima.
“Você vai imaginar que um piloto vai fazer isso com uma criança? Piloto cuida de vidas”, disse a mãe uma menina de 14 anos, abusada pelo piloto desde os 12. “Recebi uma denúncia anônima falando que ela tinha sido estuprada. Pedi provas. No vídeo que eu vi da minha filha ele tava falando que, se contasse pra mim, ele mataria. Dói, quando a gente vê isso, dói muito”.
Foi essa mãe que procurou a polícia para denunciar o piloto. Além da filha, ela descobriu que as duas irmãs, netas da mulher presa, também eram abusadas. As três estudam da mesma fala.
Há também indícios de vítimas em outros estados, como o Espírito Santo, onde o piloto teria conhecido uma jovem e realizado registros em seu aparelho celular.
Luciana Peixoto ressaltou a gravidade das consequências emocionais para as adolescentes. Segundo a autoridade, o diálogo com as vítimas expõe um cenário de profunda dor e sentimento de culpa, no qual elas passam a desvalorizar o próprio corpo. Esse trauma é descrito como uma ferida persistente, que compromete o bem-estar das vítimas até a vida adulta.
A defesa do piloto informou ao Fantástico que “o caso segue em segredo de justiça, por força legal e ética, sigo no ofício com total discrição”.