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El Niño pode ser o mais intenso desde 1950, segundo NOAA

Fenômeno climático previsto para 2026 e 2027 pode superar a intensidade de eventos registrados nas últimas décadas

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El Niño pode ser o mais intenso desde 1950, segundo NOAA
El Niño pode ser o mais intenso desde 1950, segundo NOAA • Foto: NOAA

O El Niño, fenômeno climático que se forma no Oceano Pacífico, deve ganhar força nos próximos meses e pode se tornar um dos episódios mais intensos já registrados desde 1950, segundo nova atualização do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). A agência estima mais de 90% de probabilidade de um El Niño "muito forte" até 2027, com impactos climáticos esperados para diversas regiões do Brasil.

A projeção da NOAA indica ainda 69% de probabilidade de que o episódio seja histórico, superando a intensidade dos eventos registrados desde 1950. Nesse cenário, a anomalia da temperatura da superfície do mar na região do Niño 3.4 poderia atingir 2,5°C ou mais durante o trimestre outubro-novembro-dezembro (OND) de 2026.

Apesar da perspectiva de intensidade excepcional, a NOAA ressalta que os impactos associados ao El Niño não são garantidos e variam de acordo com a região e a evolução das condições atmosféricas.

Os sinais de fortalecimento do fenômeno já aparecem nas medições do Pacífico Equatorial. De acordo com o relatório divulgado em 13 de agosto, as anomalias de temperatura da superfície do mar ultrapassaram 2°C no Pacífico Equatorial Leste em julho.

No mesmo mês, o índice Niño 3.4 registrou +1,4°C, enquanto o Niño 3 chegou a +1,7°C e o Niño 1+2 atingiu +2,9°C. O oceano também apresenta uma grande quantidade de calor acumulado abaixo da superfície: as anomalias de temperatura chegaram a +10°C em profundidade em determinadas áreas.

O gráfico de evolução das temperaturas do Pacífico mostra a rápida mudança observada ao longo de 2026. Os índices, que permaneceram negativos durante boa parte de 2025 e no início de 2026, passaram a subir a partir dos primeiros meses deste ano, com aceleração especialmente evidente nas regiões Niño 3 e Niño 1+2.

A NOAA também aponta alterações na atmosfera compatíveis com o fortalecimento do fenômeno, como mudanças nos ventos e aumento da convecção e das chuvas sobre o Pacífico central e leste, enquanto a atividade de chuva diminuiu sobre a Indonésia.

O El Niño ocorre quando há um aquecimento persistente e acima da média das águas superficiais do Pacífico Equatorial. O aumento da temperatura do oceano modifica a circulação da atmosfera e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

A intensidade prevista para o atual episódio chama atenção, visto que a NOAA considera uma chance de 69% de que o evento alcance ou supere o patamar de 2,5°C no índice Niño 3.4 durante o trimestre OND — condição que o órgão classifica como "potencialmente histórica" na comparação com episódios desde 1950.

O gráfico de probabilidades de intensidade apresentado no documento reforça a predominância da categoria de El Niño "muito forte" nos próximos trimestres, especialmente entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027. A projeção, entretanto, mostra redução gradual da intensidade ao longo de 2027.

No Brasil, o El Niño costuma produzir efeitos diferentes conforme a região. Neste episódio, os primeiros reflexos já foram observados no Sul, onde julho terminou com chuvas entre 30% e 90% acima da média, dependendo da localidade.

A tendência é que o padrão de chuva continue sendo influenciado pelo fenômeno ao longo dos próximos meses. A expectativa é de chuvas acima da média no Sul do país, enquanto Norte e Nordeste podem enfrentar períodos de precipitação mais irregulares e, a partir de outubro, totais abaixo da média.

O fenômeno, portanto, não significa simplesmente que todo o país ficará mais quente ou mais chuvoso. A principal consequência é a mudança na distribuição dos padrões de chuva e temperatura, com impactos distintos entre as regiões.

A previsão atual indica que o episódio deve continuar pelo menos até março de 2027, mantendo a influência sobre o clima brasileiro durante os próximos meses.

A própria NOAA prevê que o El Niño continue se fortalecendo até o fim de 2026. No relatório, a agência destaca que a probabilidade de um evento "muito forte" supera 90%.

A projeção oficial de agosto mostra o índice Niño 3.4 atingindo seu pico entre outubro e dezembro e permanecendo elevado no trimestre seguinte, antes de iniciar uma trajetória de queda ao longo de 2027.

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