Dia dos Solteiros: mais de 80 milhões de pessoas vivem 'sem par' no Brasil
Celebrado neste sábado (15), data acompanha uma mudança no perfil da população: mais gente mora sozinha, adia relacionamentos e vê a 'solteirice' de forma menos negativa

Enquanto o comércio se prepara para datas tradicionais como Dia das Mães, Dia dos Pais e Dia dos Namorados, uma comemoração voltada para quem está sem par ganha espaço no calendário: o Dia dos Solteiros, que é celebrado neste sábado (15), no Brasil.
A data chega em um momento em que o país vive uma transformação significativa nos relacionamentos e na estrutura familiar. Dados do último censo do IBGE, divulgado em 2022, mostram que 81 milhões de brasileiros estão adiando casamentos, optando por viver sozinhos ou simplesmente priorizando outras áreas da vida antes de assumir um compromisso amoroso. O número já ultrapassa as 63 milhões de pessoas casadas no país.
Em Minas Gerais, essa mudança também segue o mesmo caminho. Segundo informações do Censo Demográfico 2022, mais de 9 milhões de mineiros não viviam em união conjugal grupo que inclui solteiros, divorciados e viúvos. O contingente representa quase metade da população do estado.
De onde surgiu o Dia dos Solteiros?
Embora seja celebrado em 15 de agosto no Brasil, a origem da data não é totalmente definida. A comemoração ganhou força como uma espécie de contraponto ao Dia dos Namorados, valorizando a independência, a autoestima e a liberdade de quem não está em um relacionamento.
No mundo, a celebração mais famosa é o chamado "Singles Day", criado na China e comemorado em 11 de novembro (11/11). A escolha da data faz referência aos quatro números 1, que simbolizam uma pessoa sozinha. O evento nasceu entre universitários chineses nos anos 1990 e se transformou em um fenômeno global de consumo, movimentando bilhões de dólares em promoções e vendas online.
No Brasil, porém, o foco costuma ser mais leve e descontraído, com eventos, encontros entre amigos, festas temáticas e campanhas que incentivam o amor-próprio.
Retrato da solteirice no Brasil
As estatísticas mostram que viver sozinho ou sem uma união formal deixou de ser exceção. O Censo de 2022 identificou 13,6 milhões de domicílios ocupados por apenas uma pessoa no Brasil. Em pouco mais de duas décadas, esse número mais que triplicou: eram 4,1 milhões em 2000. Hoje, praticamente um em cada cinco lares brasileiros é formado por apenas um morador. As mudanças também aparecem nas configurações familiares. Pela primeira vez, famílias formadas por casais com filhos deixaram de representar a maioria no país. Em contrapartida, os casais sem filhos foram o grupo que mais cresceu nas últimas décadas.
Outro dado apresentado pelo IBGE é a quantidade de brasileiros, a partir dos 10 anos de idade, que nuca tiveram qualquer tipo de união conjugal registrada. Segundo dados do Censo de 2022, 54% dos homens entre 20 e 29 anos vivem essa realidade. Entre idosos, a partir dos 60, essa situação é mais comum entre mulheres, as solteiras representam 8,6% do total da faixa etária. Veja o gráfico:

Apesar de acompanhar as mudanças observadas no restante do país, Minas Gerais ainda preserva algumas características consideradas mais tradicionais. Dados do Censo mostram que o estado possui uma das maiores proporções de pessoas vivendo em união conjugal formalizada, especialmente por meio do casamento civil e religioso. Ainda assim, a parcela de pessoas solteiras ou fora de uma união continua expressiva e acompanha a tendência nacional de diversificação dos arranjos familiares.
Se antes a solteirice era frequentemente associada à ideia de "estar à procura de alguém", hoje ela é vista por muitos como uma escolha de estilo de vida. Para alguns, representa liberdade e para outros uma fase de autoconhecimento. Há ainda quem simplesmente não considere um relacionamento amoroso como prioridade.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



