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Big techs têm até domingo (16) para apresentar planos ao TSE

Documentos devem detalhar como as empresas vão combater a desinformação, propaganda irregular, violência política de gênero e o uso indevido de inteligência artificial

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TSE refoça acordos com plataformas para combater desinformação nas eleições.
TSE refoça acordos com plataformas para combater desinformação nas eleições. • Pixabay

As grandes plataformas digitais, conhecidas como “big techs”, têm até este domingo (16) para apresentar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) seus planos de conformidade para as eleições de 2026. A determinação vale para empresas com mais de 5 milhões de usuários no Brasil e abrange plataformas como Facebook, Instagram, TikTok, X, WhatsApp e Telegram.

Os documentos deverão detalhar as medidas que serão adotadas pelas empresas durante o período eleitoral para prevenir e combater irregularidades, como disseminação de desinformação, propaganda eleitoral irregular, violência política de gênero e comportamentos inautênticos coordenados.

A exigência foi estabelecida por uma portaria assinada no fim de julho pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. Entre as informações que deverão ser apresentadas estão a estrutura destinada ao recebimento e cumprimento de decisões da Justiça Eleitoral, os mecanismos de monitoramento de conteúdo e a metodologia utilizada para coletar e fornecer dados ao tribunal.

As plataformas também terão de explicar quais procedimentos serão adotados para interromper o impulsionamento e a monetização de conteúdos considerados falsos ou gravemente descontextualizados, principalmente quando houver risco à integridade do processo eleitoral.

Combate a redes coordenadas

A portaria também estabelece regras específicas para o chamado “comportamento inautêntico coordenado”. A prática ocorre quando grupos de contas, perfis falsos ou sistemas automatizados atuam de maneira articulada com o objetivo de manipular o debate público.

As empresas deverão apresentar os critérios utilizados para identificar essas redes e detalhar as medidas previstas para interromper, limitar ou dificultar sua atuação. Os casos identificados também deverão ser comunicados ao TSE, com a preservação de informações consideradas relevantes para eventuais investigações.

Os planos serão divididos em duas categorias: informações públicas e dados de acesso restrito. A parte pública deverá ficar disponível para consulta da sociedade, enquanto as informações técnicas consideradas sensíveis terão acesso limitado a servidores e colaboradores formalmente designados pelo tribunal.

Em situações excepcionais, as empresas poderão deixar de apresentar determinadas informações restritas, desde que justifiquem a decisão com base legal. Entre as possibilidades estão a proteção de segredo industrial ou comercial, a inviabilidade técnica e eventuais impedimentos previstos em normas de outras jurisdições.

As justificativas serão analisadas pelo presidente do TSE. O tribunal também poderá solicitar esclarecimentos, determinar alterações nos planos apresentados e realizar auditorias técnicas, conforme reportagem da CNN.

Regras para inteligência artificial

As plataformas que oferecem sistemas de inteligência artificial (IA) generativa, como modelos de linguagem, chatbots e assistentes automatizados, também terão de detalhar as medidas adotadas para impedir o uso irregular dessas ferramentas durante a campanha eleitoral.

As empresas deverão explicar como pretendem evitar que os sistemas produzam conteúdos destinados a favorecer candidatos, partidos, federações ou coligações, além de impedir recomendações ou indicações de voto.

Também deverão ser apresentadas medidas para evitar a geração de conteúdo sexual não consentido envolvendo candidatos e de propaganda eleitoral que caracterize violência política de gênero.

Outro requisito será informar a existência e a periodicidade dos testes realizados nos sistemas de IA antes e durante o período eleitoral. Os procedimentos deverão avaliar a capacidade das ferramentas de resistir a tentativas de contornar os mecanismos de proteção.

Os resultados desses testes, no entanto, ficarão armazenados em área de acesso restrito do TSE.

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