Suspeitos de planejar morte de promotor Gakiya são presos em SP
Victor Hugo da Silva, conhecido como “VH”, e Adilson Audinir Oliveira Junior, o “Ju Machado”, já haviam sido denunciados no fim de julho por suspeita de envolvimento com o PCC

Dois homens denunciados pelo Ministério Público por suposta participação em uma rede de inteligência do Primeiro Comando da Capital (PCC), responsável por monitorar autoridades e planejar possíveis atentados, foram presos nesta sexta-feira (15), em Presidente Prudente, no interior de São Paulo.
Victor Hugo da Silva, conhecido como “VH”, e Adilson Audinir Oliveira Junior, o “Ju Machado”, já haviam sido denunciados no fim de julho por suspeita de envolvimento com a facção criminosa. Além deles, Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o “Corinthinha”, e Sérgio Garcia da Silva, conhecido como “Messi”, também são réus na denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Segundo o Ministério Público, o grupo teria planejado atentados contra o coordenador de presídios da região Oeste de São Paulo, Roberto Medina, e o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Gaeco de Presidente Prudente. Gakiya é conhecido por investigações contra o PCC e é apontado como um dos principais alvos da facção.
As investigações indicam que os quatro denunciados integravam a estrutura hierárquica do PCC pelo menos desde junho de 2025. Segundo a acusação, eles faziam parte de uma célula responsável por levantar informações sobre a rotina de autoridades e familiares para subsidiar possíveis ataques.
Monitoramento de autoridades
De acordo com a denúncia, investigadores encontraram vídeos, áudios e outros registros nos celulares dos suspeitos que detalhavam a rotina de agentes públicos. Também foram identificadas evidências de que integrantes do grupo estiveram em locais estratégicos para acompanhar os deslocamentos das possíveis vítimas.
Em 2025, Gakiya afirmou que integrantes do PCC chegaram a utilizar drones para monitorar a residência onde ele mora, em Presidente Prudente. O grupo que acompanhava os passos do promotor teria ainda obtido capturas de tela com informações sobre seus trajetos até o trabalho e a academia, além de alugar um imóvel localizado a cerca de 900 metros da casa dele.
O promotor também relacionou o monitoramento ao assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil Ruy Ferraz Fontes, de 63 anos, morto em setembro do ano passado. Segundo Gakiya, uma ordem do PCC para executar o ex-delegado também determinava sua própria morte e a de Roberto Medina.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público em 27 de julho aponta que a célula funcionava com uma divisão rígida de tarefas. Cada integrante seria responsável por uma etapa específica da operação, sem necessariamente ter conhecimento de todo o plano, estratégia que dificultaria a identificação do esquema pelas autoridades.
Documentos apreendidos em unidades prisionais também teriam indicado que Sérgio Garcia da Silva, o “Messi”, dava orientações para apagar contas de e-mail e realizar remotamente a restauração de aparelhos eletrônicos.
O Ministério Público informou ainda que os investigados foram denunciados por integrar organização criminosa armada, e não pelo crime de ameaça. Segundo a acusação, embora houvesse monitoramento e levantamento de informações sobre as vítimas, não foi identificada comunicação direta de intimidação por meio de palavras, escritos ou gestos.
Operação contra o PCC
Em outubro de 2025, o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil deflagraram uma operação para investigar planos do PCC contra autoridades do estado. Entre os alvos estavam Roberto Medina e Lincoln Gakiya. Ao todo, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão.
As investigações apontaram a existência de uma célula estruturada e disciplinada dentro da organização criminosa, responsável por acompanhar detalhadamente a rotina de autoridades e familiares e reunir informações que poderiam ser utilizadas no planejamento de atentados.
Após a prisão de integrantes da facção em Presidente Prudente, dados extraídos de celulares apreendidos teriam revelado o monitoramento de Medina e Gakiya, incluindo registros de seus trajetos e veículos.
Gakiya afirmou que Medina “já poderia ter sido executado” devido à falta de escolta do coordenador. Segundo as investigações, informações detalhadas sobre a rotina de Medina já estavam em posse do núcleo conhecido como “Sintonia Restrita”.
Condenação anterior
Victor Hugo da Silva já havia sido condenado pela Justiça de São Paulo, em fevereiro deste ano, por envolvimento no plano de execução de Gakiya e Medina. Na mesma ação, também foi condenado Gabriel Custódio dos Santos, apontado como integrante da facção.
Os dois haviam sido presos preventivamente em outubro de 2025, inicialmente por tráfico de drogas. Victor Hugo foi condenado a cinco anos de prisão, enquanto Gabriel recebeu pena de sete anos, ambas em regime inicial fechado.
Na sentença, a juíza Sizara Corral de Arêa Leão Muniz Andrade, da 3ª Vara Criminal de Presidente Prudente, negou aos dois o direito de recorrer em liberdade e manteve as prisões preventivas.
No caso de Victor Hugo, a magistrada considerou que, diante de sua ligação com a facção, a liberdade poderia levar à “imediata retomada do tráfico de drogas”. Sobre Gabriel, a juíza citou a reincidência criminal e uma tentativa de fuga como fatores que demonstrariam o “perigo gerado pelo estado de liberdade” e a necessidade de mantê-lo preso.
A defesa dos citados não foi localizada. O espaço permanece aberto para manifestação.
*Com CNN Brasil.
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