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MP denuncia suspeitos de ligação com PCC que planejaram morte de promotor em SP

Grupo funcionava com divisão rígida de tarefas, onde cada suspeito realizava uma função sem necessariamente conhecer o plano completo; MP aponta que estrutura dificultava detecção do esquema pelas autoridades

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Lincoln Gakiya, promotor de Justiça; Roberto Medina, da Polícia Penal • Reprodução

O Ministério Público de São Paulo denunciou quatro pessoas por suposta participação em uma rede de inteligência do PCC (Primeiro Comando da Capital) voltada para o monitoramento estratégico de autoridades públicas para viabilizar possíveis atentados contra elas.

As investigações apontam que o grupo investigado estaria ligado ao planejamento dos atentados contra o coordenador de presídios da região Oeste de São Paulo, Roberto Medina, e o promotor de Justiça Lincoln Gakiya.

Na denúncia, o MP aponta que o grupo funcionava com uma divisão rígida de tarefas, onde cada integrante realizava uma função específica sem necessariamente conhecer a totalidade do plano, o que dificultava a detecção do esquema pelas autoridades.

Além de detalhar a ligação dos denunciados com a facção criminosa, o documento ainda cita que os investigados atuaram no levantamento detalhado de rotinas, endereços e dados de autoridades públicas.

Assim, de acordo com as investigações, o grupo reunia o material com a finalidade de repassar as informações para a “Sintonia Restrita”, setor responsável pela coordenação de ações de maior relevância estratégica do grupo e que efetivaria o atentado contra as vítimas.

Segundo o documento obtido pela CNN Brasil, entre os denunciados estão:

  • Victor Hugo da Silva (vulgo “VH”): apontado como executor operacional, realizando a vigilância de campo, filmando trajetos e residências (especialmente de Roberto Medina) e colhendo placas de veículos;
  • Wellison Rodrigo Bispo de Almeida (vulgo “Corinthinha”): investigações dizem que homem atuava como coordenador e operador logístico, sendo o interlocutor que recebia os dados colhidos por Victor Hugo para repassá-los ao setor de execução da facção;
  • Sérgio Garcia da Silva (vulgo “Messi”): seria o responsável pelos levantamentos em Presidente Prudente (interior de São Paulo), focando na rotina do promotor Lincoln Gakiya, além de intermediar a negociação de fuzis;
  • Adilson Audinir Oliveira Junior (vulgo “Ju Machado”): apontado como interlocutor e colaborador direto de Sérgio em tratativas sensíveis vinculadas à organização, e era responsável por auxiliar na ocultação ou destruição de vestígios digitais e provas incriminatórias.

A denúncia também aponta que os integrantes do grupo atuavam na estrutura interna e hierarquizada do PCC ao menos desde junho de 2025.

Entre as provas identificadas nas investigações estão vídeos e áudios nos celulares dos réus descrevendo a rotina das vítimas, além de registros nos dispositivos eletrônicos que comprovam a presença dos denunciados em pontos estratégicos de vigilância.

De acordo com o documento, também foram encontrados documentos em unidades prisionais, onde Sérgio daria ordens para apagar contas de e-mail e "resetar" aparelhos de forma remota.

No documento, o MP ainda aponta que o grupo investigado não seria denunciado pelo crime de ameaça, mas sim por integrar a organização criminosa armada. Isso porque, no entendimento das autoridades, embora dada as condutas de monitoramento, não houve comunicação direta de intimidação às vítimas por meio de palavras, escritos ou gestos.

Relembre plano do PCC contra autoridades

Em outubro do ano passado, o MPSP e a Polícia Civil realizaram uma operação que mirou planos do PCC para atacar autoridades de São Paulo. Entre os alvos estavam Medina e Gakiya. Ao todo, a ação cumpriu 25 mandados de busca e apreensão contra o grupo.

As investigações mostraram a existência de uma célula do crime organizado estruturada e altamente disciplinada.

O setor seria responssável por realizar levantamentos detalhados da rotina de autoridades públicas e de familiares das possíveis vítimas, onde o objetivo seria preparar atentados contra os alvos previamente selecionados.

Após a prisão de traficantes em Presidente Prudente, a Justiça extraiu dados de celulares apreendidos e constatou o monitoramento de Medina, assim como de Gakiya, com mapeamento e filmagem de seus trajetos e veículos.

Gakiya afirmou que Medina "já poderia ter sido executado", dada a ausência de escolta do coordenador. De acordo com as investigações, as informações sobre a vida e rotina de Roberto Medina já estavam em posse do núcleo "Sintonia Restrita".

*Com informações de Julia Farias e Rafael Saldanha, da CNN Brasil

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Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduado em política e relações internacionais. Tem mais de 13 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.

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