Moradores do município de Buriticupu, no estado do Maranhão, têm vivido preocupados porque a cidade está repleta de crateras que têm engolido pessoas e casas na região. Isso porque cada vez mais as voçorocas, nome dado a esse tipo de barranco, aumentam devido à força da chuva e ao desmatamento da vegetação que segura o solo no local.
Em 30 anos, aproximadamente 70 casas foram destruídas após o solo do local ceder e ‘engoli-las’. Neste mesmo período, sete pessoas morreram e outras dezenas ficaram feridas ao serem arrastadas para esses barrancos em época de chuvas.
São várias as voçorocas que prejudicam a vida dos moradores do local, a primeira começou a surgir na década de 1970. Ela tem cerca de 50 metros de largura e 60 de profundidade. “Teve início nos anos de 1976, com o início da colonização da cidade, portanto são 48 anos. Era uma gruta que foi crescendo. A extração de madeira e também de pedras fez com que o terreno ficasse totalmente desprotegido”, informou Isaías Neres, professor e presidente da Associação de Moradores das Áreas Atingidas pelas Erosões de Buriticupu, em entrevista ao G1.
Ele explica que a medida que em que a água caia no local, o solo frágil cedia. Além disso, Neres explica que a água da região era canalizada para o local - o que também contribuía para a erosão do local. Além da mais antiga, existem outras seis crateras que ameaçam os moradores em vários pontos do município.
Em março do ano passado, a Defesa Civil Nacional foi ao município e declarou situação de calamidade pública devido à extensão das voçorocas e o aumento constante delas. Na mesma época, o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional afirmou que iria fornecer recursos e ações para resolver a situação.
Contudo, conforme alguns moradores, até o momento, foram feitas apenas ações para mitigar alguns problemas em regiões específicas e nenhuma ação para resolver o problema foi iniciada. Em nota ao G1, o Ministério informou que em fevereiro foi publicado um convênio para ações de recuperação em Buriticupu, no valor de R$ 11.220.347,48. A primeira parcela, no valor de R$ 3.366.104,24, foi repassada em março para a reconstrução de 89 Unidades Habitacionais no município, para abrigar as famílias em zona de risco.
Outras verbas também foram destinadas para o município, como a da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) que destinou R$ 687 mil para a região. O dinheiro deveria ser destinado à aquisição de materiais de assistência humanitária para as famílias desabrigadas, desalojadas e afetadas pelo avanço das crateras.
A prefeitura de Buriticupu foi procurada pelo G1, que não respondeu às demandas do portal. Contudo, anteriormente, a gestão informou que as verbas foram investidas na assistência emergencial e na construção de 89 casas populares para as famílias afetadas. As obras já foram licitadas e aguardam recursos federais.