Ouça a rádio

Ouvindo...

Times

Cinco bilionários enriqueceram 114% nos últimos três anos, aponta estudo

Os dados, revelados às vésperas do Fórum Econômico Mundial, expõem a crescente desigualdade econômica mundial

Elon Musk quebra acordo bilionário e ações do Twitter despencam

Sete das 10 maiores corporações do mundo têm um bilionário como CEO ou principal acionista

Divulgação/ Elon Musk

Um novo relatório da Oxfam identificou que 63% da riqueza produzida no Brasil está concentrada nas mãos de apenas 1% da população. Enquanto isso, os cinco homens mais ricos do mundo viram suas fortuna mais do que dobraram em três anos.

Os dados, revelados às vésperas do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, expõem em números a crescente disparidade econômica global.

O levantamento revela que 50% da população mais pobre do Brasil detêm apenas 2% do patrimônio nacional, enquanto o brasileiro mais rico possui uma fortuna equivalente à metade mais desfavorecida (cerca de 107 milhões de pessoas).

Ao mesmo tempo, a riqueza global cresce em ritmo acelerado: quatro dos cinco bilionários brasileiros mais ricos aumentaram seu patrimônio em 51% desde 2020.

O patrimônio dos cinco homens mais ricos do mundo cresceu 114% desde 2020, segundo o mesmo relatório.

O estudo prevê o surgimento do primeiro trilionário do planeta Terra dentro de uma década, enquanto o fim da pobreza poderá levar mais de dois séculos.

A previsão do Banco Mundial é que vai durar pelo menos 230 anos para reduzir a zero o número de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza em todo o mundo.

Elite corporativa

O relatório também lança luz sobre a concentração de riqueza em grupos específicos da sociedade. No Brasil, uma parcela ínfima de 0,01% da população controla 27% dos ativos financeiros.

Sete das 10 maiores corporações do mundo têm um bilionário como CEO ou principal acionista.

Essas empresas valem US$ 10,2 trilhões (equivalente a R$ 209 trilhões) - valor superior ao PIB (Produto Interno Bruto) de todos os países da África e América Latina.

A Oxfam faz uma análise crítica, afirmando que a disparidade identificada reflete mais uma “plutocracia” do que uma verdadeira democracia econômica.

Plutocracia se refere a um sistema ou forma de governo em que o poder político é exercido predominantemente por uma elite econômica.

Desigualdade racial no Brasil

A desigualdade no Brasil não está limitada apenas à distribuição de renda e riqueza, mas também se entrelaça com questões raciais e de gênero, de acordo com o estudo.

No Brasil, em média, o rendimento das pessoas brancas é mais de 70% superior à renda de pessoas negras.

“No Brasil, a desigualdade de renda e riqueza anda em paralelo com a desigualdade racial e de gênero. Nossos super-ricos são praticamente todos homens e brancos”, disse em comunicado Kátia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil.

Para ela, é preciso enfrentar o “pacto de branquitude” para construir “um país mais justo e menos desigual”.

O que é a Oxfam?

A Oxfam é uma organização global que luta contra a pobreza, desigualdade e injustiça em todo o mundo. Ela é formada por 21 organizações presentes em mais de 85 países.

Oxfam defende medidas para reduzir drasticamente a desigualdade entre os super-ricos e o resto da sociedade.

A confederação defende investimento pesado em serviços públicos, regulação de empresas, quebra de monopólios e criação de impostos permanentes sobre riqueza e lucros excedentes.

Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai e produção de vídeos para a Labe Tecnologia. Hoje, é repórter multimída da Itatiaia na área de Tendências Digitais.
Leia mais