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Paraplégico em academia: veja como evitar acidentes e lesões na musculação

Regilaneo da Silva Inácio, de 42 anos, foi atingido por aparelho no Ceará e teve o movimento das pernas afetado

Um motorista de aplicativo ficou gravemente ferido após um aparelho de musculação cair sobre sua cabeça em uma academia na cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará. Regilaneo da Silva Inácio, de 42 anos, teve uma lesão na medula e passou por cirurgia na última semana. Sem sentir as pernas, os médicos afirmam que o motorista tem apenas 1% de chance de voltar a andar.

No momento do acidente, o aparelho chamado de “hack squat”, usado para fazer agachamentos, estava com um peso de 150 kg. Segundo o personal trainer Igor Vilas Boas, o excesso de peso e a execução errada dos exercícios são as principais causas de lesões e acidentes durante o treino de musculação.

“Não existe exercício perigoso, existe a forma inadequada que o aluno executa. Por isso, é importante ter o acompanhamento de um profissional da Educação Física. É comum que alunos que treinam sozinhos aumentem a carga para ter uma evolução rápida, mas isso faz com que o corpo gere compensações, aumentando o risco de lesões. Ele também pode não aguentar o peso da carga e ocasionar um acidente”, esclarece o profissional.

Método de treinar “até a falha” aumenta risco de acidentes

De acordo com Vilas Boas, o método de treinar “até a falha” do músculo, ou seja, quando ele já não consegue mais fazer nenhuma repetição, só é seguro se acompanhado de um profissional. “Realizar o método sozinho pode causar acidentes e lesões graves, até mesmo irreversíveis. Isso porque o aluno pode estar fazendo um exercício e não aguentar mais o peso da máquina. Se ele não conseguir empurrar o equipamento até o ponto de travamento, a máquina pode voltar em cima da pessoa”, explica.

O profissional conta que exercícios como leg press - máquina em que a pessoa empurra um peso com as pernas - agachamento e peso livre podem ser perigosos se feitos sem supervisão. “Se o aluno não conseguir empurrar o leg press, se o equipamento estiver com um excesso de peso, ele pode voltar contra a pessoa. No caso do agachamento, se o aluno não prender as anilhas [pesos] com as presilhas de segurança, elas podem cair em cima do pé ou em outra pessoa”, diz.

Cuidados necessários para evitar lesões

O professor da academia onde Regilaneo da Silva Inácio se acidentou, Cicero Santos, disse que não houve falha do equipamento. O aluno não teria puxado a trava por completo e, por isso, a máquina teria despencado sobre ele.

Para evitar que acidentes como esse aconteçam, Vilas Boas explica quais cuidados devem ser tomados durante os treinos.

  • Ter o acompanhamento de um profissional de educação física: o profissional vai orientar o aluno a fazer os exercícios da maneira correta e com a carga adequada.

  • Respeitar os limites do corpo: a pessoa deve respeitar até onde o seu corpo aguenta ir. O aluno não pode colocar uma carga além da sua capacidade na intenção de acelerar o ganho de massa. As progressões devem ser feitas gradativamente, conforme a evolução nos treinos.

  • Saber a hora de parar: Ainda na temática de respeitar os limites do próprio corpo, o aluno deve saber o momento de parar ou de diminuir a carga. Quando o corpo já não suporta mais aquele peso é preciso parar.

  • Não descansar nas máquinas: Durante as pausas entre as repetições, o ideal é não descansar sentado ou escorado no equipamento.

  • Saber manusear o equipamento: o aluno deve prestar atenção na explicação do professor para aprender a travar a máquina e se prevenir de possíveis acidentes.

Segurança e fiscalização dos equipamentos

As academias e a segurança de seus equipamentos são fiscalizadas pelos Conselhos Regionais de Educação Física de cada estado. Em 2009, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançou um documento, de caráter recomendatório, apontando algumas normas de segurança que as academias deveriam seguir.

Confira as recomendações da Anvisa:
  1. Salas de musculação e ginástica devem ter piso apropriado para a prática das atividades, livre de rachaduras, imperfeições e objetos cortantes;

  2. Salas devem estar limpas e arejadas, além de terem área de circulação livres;

  3. Equipamentos devem estar em perfeito estado de conservação, higiene e segurança, não podendo estar quebrados (totalmente ou parcialmente). Eles não podem estar enferrujados, rachados, amassados, úmidos ou com qualquer defeito que possa comprometer a prática e a segurança do usuário. Eles também devem estar devidamente fixados no chão ou parede e lubrificados em suas partes móveis;

  4. Os equipamentos também devem possuir o selo do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e passar por manutenção preventiva constante;

  5. Aparelhos ergométricos (esteiras, bicicletas, elípticos etc.) devem estar dispostos de forma a permitir livre circulação nas laterais e na parte de trás. A área livre deve ser de, no mínimo, 80 centímetros, funcionando como “área de escape” para eventuais acidentes;

  6. Aparelhos de musculação também devem apresentar distância mínima de 80 centímetros entre eles, permitindo livre circulação;

  7. Material de apoio complementar, como anilhas, barras, cordas e outros, deve estar em perfeito estado de conservação e acondicionados em suportes apropriados ou compartimentos especialmente reservados para eles. Eles não podem ficar no espaço reservado para circulação;

  8. Espelhos devem estar íntegros, sem rachaduras, lascas, defeitos de acabamento e visualização, com extremidades protegidas por estrutura específica;

  9. Salas de lutas devem ser totalmente protegidas por revestimento acolchoado em toda a sua extensão e circundante. Caso haja pilares ou colunas, elas também devem ser revestidas;

  10. Quando houver piscina, o tratamento da água do deve ocorrer com frequência para manter a qualidade estética (cristalinidade, sem resíduos e sem odores desagradáveis) e a qualidade sanitária, bem como mantê-la saudável e segura para a saúde dos usuários e demais pessoas. A limpeza deverá ser feita com emprego de cloro ou seus compostos, preferencialmente, mediante cloradores ou similares, durante todo o período de funcionamento da piscina.

Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.
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