Jaecoo 5: dirigimos o rival híbrido do VW T-Cross que chega em julho
Conhecemos antecipadamente, na China, o SUV híbrido confirmado para estrear no segundo semestre abaixo dos R$ 160 mil

O Jaecoo 5 será lançado no Brasil no segundo semestre deste ano, mas o Itatiaia Auto teve a oportunidade de conhecer antecipadamente, na China, o SUV que aposta na motorização híbrida e no preço competitivo para atrair potenciais compradores do Volkswagen T-Cross abaixo dos R$ 160 mil – a Omoda & Jaecoo diz que o modelo chegará custando menos de R$ 156 mil.
Construído sobre a mesma plataforma TX1 do Omoda 5 (custa a partir de R$ 164.990) e do Caoa Chery Tiggo 5X, o Jaecoo 5 mede 4,38 metros de comprimento, 1,86 m de largura, 1,65 m de altura e 2,62 m de entre-eixos. O porta-malas de 480 litros tem capacidade acima da média do segmento.

Embora o seu entre-eixos tenha 3 centímetros a menos que o do T-Cross, o espaço interno é satisfatório, suficiente para levar quatro adultos sem aperto, como comprovamos durante a maratona de consumo realizada ao longo de 600 quilômetros pelas impecáveis rodovias chinesas.
A motorização híbrida escolhida para o Brasil não demanda recarga externa ao combinar o propulsor 1.5 turbo a gasolina com injeção direta de 135 cv e 20,4 kgfm a um elétrico alimentado por uma bateria de 1,83 kWh. No Omoda 5, esse conjunto entrega 224 cv de potência e 30,1 kgfm de torque combinados.
O câmbio automático DHT (Dedicated Hybrid Transmission) conta com apenas uma marcha física, uma vez que o motor elétrico gera múltiplas relações variadas.

De acordo com a ficha técnica, o Jaecoo 5 acelera de 0 a 100 km/h em 7,9 segundos, mas o que impressiona é o baixo consumo de combustível. Durante o trajeto entre a sede do Grupo Chery, em Wuhu, e um vilarejo nas montanhas próximas ao Rio Dousha, conseguimos atingir médias acima de 26 km/l, conduzindo o veículo da maneira mais eficiente possível.
O sistema híbrido do Jaecoo 5 permite rodar somente com eletricidade a até 40 km/h, enquanto houver carga na bateria, acionando o motor a gasolina para funcionar apenas como gerador de eletricidade. Essa condição favorece o consumo, principalmente no trânsito urbano. Porém, os dois motores podem atuar em conjunto acima de 60 km/h, dependendo de alguns fatores, para reduzir o consumo de gasolina e fornecer mais potência em arrancadas e ultrapassagens.

Constatamos a força do conjunto ao ultrapassar um caminhão que subia lentamente um trecho da serra que leva até as montanhas no interior da China: bastou pisar um pouco mais fundo no acelerador para o motor elétrico empurrar o carro com vigor e realizar a manobra com segurança.
Para contar sempre com a força do motor elétrico, o sistema mantém a carga da bateria sempre acima de 50%, utilizando a unidade a combustão para tracionar o veículo e fornecer energia simultaneamente. A eletricidade também é recuperada nas frenagens ou “no embalo”, quando o sistema regenerativo aproveita a inércia para recarregar a bateria.
Ao final da maratona, o computador de bordo do carro indicou que rodaríamos 1.009 quilômetros com um tanque de gasolina, marca que nos colocou na quinta posição da disputa contra jornalistas de nove países. O carro vencedor, conduzido por brasileiros, terminou a prova com autonomia de 1.138 km e consumo médio de 29,4 km/l.
Ao gosto do brasileiro
Embora o Jaecoo 5 conduzido pelo Itatiaia Auto fosse um protótipo para testes da fábrica, o carro já estava com o acerto de direção e suspensão adaptados para o mercado brasileiro. No geral, a dinâmica do SUV lembrou um pouco a do Chevrolet Tracker, com rodar firme, mas sem prejudicar o conforto a bordo nos raros trechos de asfalto ruim das ruas e rodovias chinesas - na verdade, a pior via que rodamos foi o trecho que estava sendo recapeado em uma estrada secundária que atravessava vilarejos.
A lista de equipamentos para o Brasil ainda não foi confirmada, mas alguns carros do teste continham bancos revestidos de material imitação de couro e ajustes elétricos para o motorista e passageiro, teto solar panorâmico, tampa do porta-malas com abertura elétrica, faróis em LED com acendimento automático, carregador de celular por indução de 50 Watts e rodas de liga leve de 18 polegadas.

No entanto, todos os veículos participantes estavam equipados com ar-condicionado digital de duas zonas, central multimídia de 13,2” e um pacote de assistências de condução (ADAS) bem completo, com como frenagem autônoma emergencial, controle de cruzeiro adaptativo (ACC), monitoramento de faixa, entre outros recursos.
Na variante mais completa, que deve ser a primeira a chegar ao mercado brasileiro, o sistema de som é assinado pela Sony e o acabamento interno é composto por materiais macios ao toque em boa parte da cabine, como as portas dianteiras e a parte superior do painel.

Nesse primeiro contato, o Jaecoo 5 se destacou pelo baixíssimo consumo de combustível, aliado ao bom nível de conforto e à dinâmica bem acertada. Caso chegue ao mercado brasileiro, entre julho e agosto, com os equipamentos das unidades mais completas na faixa dos R$ 156 mil, será um concorrente de peso para os SUVs das marcas mais tradicionais.
Viagem a convite da Omoda & Jaecoo
Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.


