Fim da 1ª geração da Volkswagen Amarok provoca debandada de fornecedores e crise na indústria argentina
Encerramento da atual geração da picape provoca fechamento de empresas e redução de contratos na cadeia de autopeças; nova geração terá a maioria dos componentes importados da China

O fim da produção da primeira geração da Volkswagen Amarok na Argentina já provoca impactos na cadeia de fornecedores. Pelo menos duas empresas de autopeças anunciaram o encerramento das atividades no país após perderem contratos ligados à picape, enquanto outras tentam encontrar novos negócios para manter as operações.
Produzida desde 2009 na fábrica de General Pacheco, na província de Buenos Aires, a Volkswagen Amarok atual deixará de ser fabricada ainda em 2026 para dar lugar à nova geração, desenvolvida em parceria com a chinesa SAIC e prevista para começar a ser produzida no país vizinho em dezembro.

A atual Amarok deixa a linha de produção após mais de 15 anos. A Volkswagen já fabricou 800 mil unidades da picape em Pacheco, sendo aproximadamente 60% destinadas à exportação para 102 mercados.
A mudança reduzirá significativamente a participação de fornecedores locais. Segundo fontes do setor consultadas pelo Autoblog Argentina, das 60 empresas sediadas no país vizinho para atender a produção da Amarok, apenas 16 seguirão fornecendo componentes para o novo modelo.

Entre as empresas afetadas está a alemã Kromberg & Schubert, fabricante de chicotes elétricos que chegou à Argentina em 2009 para atender ao projeto da Amarok. A companhia anunciou o encerramento das atividades e a demissão de 200 funcionários até o fim deste ano.
A Irauto, do grupo espanhol Antolin, também deixará o país. A empresa fabrica revestimentos internos e emprega cerca de 80 trabalhadores na unidade de Benavídez, que perdeu o contrato para fornecer componentes à nova picape.

Outra fornecedora afetada é a Pelzer System, do grupo italiano Adler Pelzer, responsável por materiais de isolamento acústico e carpetes. A empresa chegou a empregar cerca de 100 pessoas para atender à Amarok, mas atualmente mantém apenas 13 funcionários na unidade.
Empresas como Motherson, Caimari e Albano Cozzuol também serão impactadas, embora tenham outros clientes e produtos que podem reduzir os efeitos da perda do contrato.
Nova Amarok terá mais componentes importados

A nova Amarok será baseada em um projeto da SAIC relacionado à Maxus Interstellar X e continuará sendo produzida em Pacheco. Entretanto, terá maior participação de componentes importados, principalmente da China.
A mudança ocorre em meio à pressão sobre a indústria argentina de autopeças. Segundo a Associação de Fábricas de Autocomponentes (AFAC), 63 empresas do setor encerraram atividades ou cancelaram projetos relevantes no país desde 2009. Desse total, 11 casos ocorreram entre 2024 e 2026.
Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.



