Ferrari elétrica derruba ações da marca e recebe críticas de ex-presidente
Primeiro modelo elétrico da Ferrari foi chamado de “distante da essência da marca” por Luca di Montezemolo e gerou reação negativa no mercado financeiro

A estreia do primeiro carro totalmente elétrico da Ferrari provocou uma forte reação negativa entre fãs, investidores e até antigos executivos da marca italiana. Batizado de Luce, o novo modelo foi alvo de duras críticas do ex-presidente empresa, Luca di Montezemolo, que chegou a afirmar que o veículo “não representa a história da Ferrari”.
“Se eu dissesse o que penso, estaria magoando a Ferrari. Isso corre o risco de destruir uma lenda, e eu lamento profundamente. Ao menos este, os chineses não vão copiar”, pontuou o executivo à agência de notícias Aska News.

Montezemolo, que comandou a fabricante italiana durante uma das fases mais vitoriosas da empresa na Fórmula 1 e responsável pelo lançamento de modelos históricos (Enzo, F50 e F355), criticou publicamente o design e o conceito do modelo. Durante um evento empresarial em Roma, o ex-dirigente declarou que espera que a marca “retire o cavalo rampante” do carro, em referência ao tradicional logotipo da Ferrari.
O Ferrari Luce representa uma mudança radical na trajetória da fabricante de Maranello. O modelo é um sedã de quatro portas e cinco lugares, desenvolvido em parceria com Jony Ive, ex-chefe de design da Apple. Com preço estimado em 550 mil euros (cerca de R$ 3,5 milhões), o supercarro elétrico aposta em um visual futurista e em uma proposta voltada para novos consumidores de alto padrão, especialmente compradores ligados ao setor de tecnologia e ao mercado chinês.

Apesar das especificações impressionantes, que incluem quatro motores com mais de 1.000 cv de potência e aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de 2,5 segundos, o lançamento foi recebido com desconfiança. Analistas apontam que parte do público tradicional da Ferrari vê o modelo como distante da essência emocional e esportiva que consagrou a marca ao longo das décadas.

A reação negativa também atingiu o mercado financeiro. As ações da Ferrari registraram queda de 7,58% após a apresentação oficial do modelo, refletindo preocupações sobre a aceitação do elétrico entre os clientes mais tradicionais da fabricante.
Mesmo diante das críticas, a Ferrari defende que o Luce simboliza uma nova fase de inovação para a companhia. A estratégia faz parte do processo de eletrificação gradual da marca, que pretende ampliar sua presença no segmento de veículos elétricos de luxo sem abandonar completamente os motores a combustão e híbridos.
Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.



