Primeira Ferrari elétrica tem mais de 1.000 cv e visual inspirado na Apple
Ferrari Luce é equipada com quatro motores, tem cinco lugares e visual polêmico

A Ferrari apresentou, na segunda-feira (25), o Luce, o seu primeiro modelo totalmente elétrico e um dos lançamentos mais importantes (e controversos) de sua história. O novo supercarro inaugura a entrada definitiva da fabricante italiana no segmento de veículos elétricos de alto desempenho, combinando tecnologia inédita, design futurista e potência superior a 1.000 cv.

O nome “Luce”, que significa “luz” em italiano, simboliza a nova fase da Ferrari em direção à eletrificação. O modelo foi desenvolvido em parceria com o estúdio LoveFrom, liderado pelo designer Jony Ive, responsável por projetos icônicos da Apple, como o iPhone. O visual rompe com os padrões tradicionais da Ferrari e aposta em linhas mais limpas, superfícies arredondadas e soluções aerodinâmicas pouco convencionais para a marca.

O Ferrari Luce utiliza uma plataforma inédita com arquitetura de 800 Volts e conjunto motriz formado por quatro motores elétricos (um em cada roda). A potência combinada ultrapassa 1.000 cv e o torque supera os 100 kgfm, permitindo aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de 2,5 segundos e velocidade máxima acima de 310 km/h. A bateria de 122 kWh suporta carregamento ultrarrápido de até 350 kW e promete autonomia superior a 500 quilômetros pelo ciclo europeu de medições.

Além do desempenho, o Luce chama a atenção pelo interior altamente tecnológico. Diferentemente da tendência de telas gigantes e comandos digitais excessivos, a Ferrari optou por preservar botões físicos, comandos metálicos e acabamento artesanal, buscando manter a experiência emocional típica da marca mesmo em um carro elétrico.

O Luce também será o primeiro Ferrari de produção com configuração para cinco ocupantes e maior foco em conforto e usabilidade cotidiana – com direito a portas traseiras do tipo “suicida”, com abertura ao contrário. O modelo terá preço inicial estimado em cerca de 550 mil euros, equivalente a mais de R$ 3,5 milhões em conversão direta, posicionando-se entre os carros mais caros já produzidos pela fabricante italiana.

Nas redes sociais e fóruns especializados, a reação ao novo Ferrari elétrico foi dividida. Enquanto parte dos fãs elogiou a ousadia tecnológica e o interior inovador, outros criticaram o visual radical e o abandono dos tradicionais motores a combustão da marca.

A chegada do Luce acontece em um momento de desaceleração global na demanda por carros elétricos de luxo, levando marcas como Lamborghini, Porsche e Maserati a reverem seus planos de eletrificação. Mesmo assim, a Ferrari aposta que o novo modelo será capaz de abrir uma nova frente de negócios sem comprometer sua identidade esportiva.
Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.



